Andrew Couldridge/Reuters
Andrew Couldridge/Reuters

Quando o futebol deixa o gramado e vai para a estante de livros

Editora vem se mantendo com lançamentos de publicações sobre grandes treinadores e formações táticas

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2018 | 05h00

Uma editora focada exclusivamente em livros sobre futebol. Essa foi a ideia que levou Gabriel Gobeth e Felipe Borges a criar a editora Grande Área em 2013. Os sócios começaram com o objetivo de estimular leitores comuns a discutir ideias sobre a modalidade esportiva mais popular do planeta. Desde então, a editora vem se mantendo com lançamentos de publicações sobre grandes treinadores e formações táticas.

Num País de milhões de torcedores, a ideia parece boa. Não fosse a crise econômica que afetou o Brasil, seus editores acreditam que ela poderia ter crescido mais. Há planos ambiciosos para os próximos anos.

“A editora surgiu do fato de que nós, sócios, éramos leitores habituais de livros de futebol, e não os encontrávamos aqui no Brasil. Todos vinham de fora. O mais incrível nesse processo de criação da companhia foi que os passos da burocracia inicial ficaram todos em suspenso até que recebêssemos uma resposta do nosso primeiro livro. Foi quando os detentores dos direitos do livro Guardiola Confidencial nos disseram ‘sim’ e aceitaram ceder os direitos autorais da publicação a uma editora iniciante. Desse ‘sim’, que recebemos em novembro de 2014, até julho de 2015, quando o lançamos, tivemos de mergulhar fundo no ramo editorial”, conta Gobeth.

Segundo o fundador da editora, a escolha pelo livro de Martí Perarnau sobre o técnico catalão que fez história no Barcelona sobretudo se insere em um contexto de discussão de ideias. “Procuramos representar o espírito do tempo que estamos vivendo em termos de futebol. Por isso, vieram de cara obras sobre Guardiola e Mourinho, que praticamente moldaram as ideias em torno do jogo jogado em campo nos últimos dez anos”, explica. “E pela mesma razão tentamos dirigir nosso olhar para o que tinha acontecido na Alemanha no processo que levou sua seleção até o título da Copa do Mundo de 2014.”

Outros títulos publicados falam sobre o crescimento da MLS, a Liga dos Estados Unidos. Há ainda o livro A Pirâmide Invertida, que conta a história da evolução tática no futebol, de Jonathan Wilson. Este último é um dos mais vendidos da editora. “A Pirâmide Invertida tinha sido lançado em 2008 na Europa e, mesmo sendo apontado como revolucionário pela forma como transformou o olhar dos seus leitores para o futebol, nunca tinha sido traduzido para o português. Foi um tiro certeiro. A publicação é também uma referência no Brasil”, diz Gobeth.

“Em todos nossos livros, há conhecimentos e informações de apoio para qualquer conversa cujo tema seja futebol. Uma vez que suas fontes de consulta e referências passam a ser mais amplas e mais profundas, fica evidente como há carência de informações e conhecimento circulando por aqui”, diz o editor. “Com os livros ganhando leitores, existe menos espaço para lugares-comuns e conversas vazias. O público torna-se um agente transformador do cenário em que está inserido”, entende Gobeth ao exemplificar como espera que a Grande Área influencie nas discussões sobre o esporte.

Os resultados financeiros da editora foram afetados pela crise, mas ela conseguiu se manter, mesmo com a queda de 21% no mercado editorial entre 2015 e 2018. “Hoje temos conseguido o bastante para nos manter em produção. Para nós, ter conseguido passar por esse período de crise e seguir trabalhando e publicando já é uma vitória. Mas, claro, à medida que o mercado vai se rearranjando, nosso planejamento é obter maior retorno e realmente expandir o nosso projeto: publicar mais livros e contratar mais autores brasileiros”, disse Gobeth.

O dono da editora projeta um futuro de crescimento. “Temos de desenvolver esse gosto por uma leitura específica, a do nosso nicho, fazer subir o sarrafo da cultura futebolística entre os brasileiros e dar ao futebol um lugar de destaque nas prateleiras de livros. O Brasil ainda lê pouco em termos absolutos, mas consideramos que há muito para crescer, há muito ainda por se conhecer, muitos livros ainda por serem publicados e lidos sobre futebol.”

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.