Jonne Roriz/Estadão
Jonne Roriz/Estadão

Quatro torcedores empurram o Corinthians no Pacaembu

Clube não queria a entrada deles, por causa da punição da Conmebol, mas a polícia os liberou

Paulo Favero e Vítor Marques,

27 de fevereiro de 2013 | 22h00

SÃO PAULO - Pouco antes de o jogo no Pacaembu começar, entre Corinthians e Millonarios, na noite desta quarta-feira, o auto-falante do estádio fez um pedido um tanto incomun, para que aqueles únicos quatro torcedores que conseguiram entrar para ver a partida, fizessem silêncio. No momento, eles gritavam os nomes dos jogadores, um grito quase silencioso, comparando com o que o time está acostumado, empurrado normalmente por mais de 20 mil vozes.

A saga de Armando Mendonça, Karina Mendonça, Milton Mendonça e Rodrigo Adura para assistir ao jogo da Copa Libertadores, no entanto, não foi das mais fáceis. Os quatro (além de Mauricio Pimenta e Gerson Mendonça Neto, que desistiram da partida) haviam conseguido uma liminar na justiça com o direito de entrar no Pacaembu, indo ao contrário da punição imposta pela Conmebol, que ordenava que o time teria de jogar com os portões fechados, por causa da morte do jovem boliviano na semana passada.

Os quatro torcedores chegaram com mais de uma hora com antecedência, mas só conseguiram entrar 15 minutos antes do apito inicial. E só graças a Polícia Militar, já que o Corinthians não queria liberá-los. "Sou torcedor, sou consumidor e quero fazer direito. Comprei meu ingresso há dois meses!”, dizia Armando Mendonça. “Vivemos num país democrático. Os advogados do Corinthians não querem que a gente entre, por ser uma ordem da Conmebol. Eu até entendo a posição deles, mas resolvi procurar meu direito em assistir ao jogo”, complementou Milton. Todos eles ficaram posicionados nas vazias numeradas do estádio.

Ao contrário desses quatro corintianos, que conseguiram na Justiça o direito de entrar no Pacaembu, vários outros ficaram do lado de fora. Para evitar transtornos, a Polícia resolveu cercar o estádio com grandes. Mesmo assim, cerca de 100 torcedores estavam por lá, na esperança de entrar.

Jorge Souza mora em São Francisco, na Califórnia, tirou férias para vir para o Brasil e comprou todos os ingressos para acompanhar a primeira fase do Corinthians na Libertadores. A proibição de torcedores pegou o fanático torcedor de surpresa. “É revoltante, quero saber se vão reembolsar minha passagem aérea pra vir até aqui”, reclamou. O torcedor diz que deu uma volta pelo Pacaembu e ficou muito triste com o vazio nas ruas. “Deu até vontade de chorar. Eu fui na final da Libertadores do ano passado, no jogo da Bombonera, no Mundial de Clubes e nunca vi isso com o Corinthians.”

Alguns fãs do Millonarios também estavam no Pacaembu. E se surpreenderam com a ordem da Conmebol. Os amigos Oscar, Sebastian, Miguel e Ismael saíram da Colômbia no dia 10 de janeiro e chegaram apenas terça-feira no Brasil. Por falta de dinheiro, escolheram a opção mais econômica que existe: carona. “Somos um grupo de 20 pessoas e percorremos a América do Sul para acompanhar o Millonarios. Não temos ingresso e nem sabíamos que não poderia ter torcida. Depois daqui vamos para Oruru, também de carona com caminhoneiros”, disse Sebastian. “Costumamos ser bem recebidos nos lugares, mas a falta de dinheiro é um problema. Aproveitamos para vender artesanato e tentar levantar algum dinheiro para comer”, finalizou Miguel.

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