Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Que baixe o espírito de 70

A versão Copa 2018 da equipe nacional precisa de um banho de entusiasmo, vivacidade, arranque, explosão - de competência

Antero Greco, colunista

22 Junho 2018 | 00h00

A data passou batida, mas vem a calhar para o desafio de hoje da seleção: ontem, 21, a folhinha esportiva cravou 48 anos da conquista do tri Mundial. Numa bela tarde de domingo de junho de 1970, no Estádio Azteca, na Cidade do México, o Brasil conquistava em definitivo a Jules Rimet, aquela taça linda que tempos depois foi derretida por larápios que a surrupiaram da sede da CBF. Episódio triste, que agora não entra na conversa.

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Importa no momento que o espírito vencedor de grupo extraordinário baixe na rapaziada escalada por Tite para topar com a Costa Rica. Não considero Fagner, Thiago Silva, Casemiro, Paulinho, Willian, Gabriel, Neymar & Cia. Limitada bando de pernas de pau; seria injusto e primário. São atletas conceituados em seus clubes, ganhadores dos mais variados torneios por aí. 

Mas, com o respeito que merecem como seres humanos e profissionais, não fazem sombra para Carlos Alberto, Piazza, Gérson, Clodoaldo, Tostão, Jairzinho e um certo Pelé, Rei do Futebol, primeiro e único. Desculpem-me, até, se há sugestão de comparação aqui. Jamais foi a intenção. Fica só o desejo de que se inspirem em astros imortais da bola, para superarem desafio na segunda rodada na Rússia. E, sem saudosismo nem violinos plangentes como fundo musical, como aquela turma jogava! Jesus amado! Com as controvérsias de praxe, há sentimento internacional de que se trata da maior seleção de todos os tempos. Eu, que não sou bobo, concordo.

A versão Copa 2018 da equipe nacional precisa de um banho de entusiasmo, vivacidade, arranque, explosão - de competência, pra ficar no Português claro e direto. Pois esta lhe faltou no 1 a 1 da estreia, diante da Suíça. Noves fora a constatação de que não existam esquadrões na atualidade, e que a tendência é de nivelamento, como comprovam os confrontos neste Mundial, topete e colorido sobraram apenas no cocuruto de Neymar, não no duelo com os europeus. 

 

A meticulosidade no planejamento, as explicações em tom quase messiânico de Tite não desaguaram em desempenho de classe. Com ligeiras variações, conforme as exigências ocasionais, todos ficaram aquém na jornada em Rostov. Difícil encontrar jogador sobre o qual se possa apontar e dizer: esse arrasou. Tudo mediano. E numa Copa só se vence acima da média.

Eis o nó para Tite desatar: fazer com que a seleção se solte e vibre, ouse, corra e, sobretudo, não se perca caso encontre dificuldade ou sofra um gol. Não dá para ser água com açúcar contra os costa-riquenhos. Os ticos são voluntariosos, novamente entram como franco-atiradores, não têm nada a perder. Ao contrário da amarelinha. O ônus é todo brasileiro, que precisa batê-los.

Tite teve breve pausa para ajustar a máquina, falha em todos os setores. A contusão de Danilo pode ajudar o lado direito, nulo contra os suíços. Fagner entra, depois de meses de inatividade, com a missão de se transformar em alternativa para jogadas de ataque, com auxílio de Willian. Espera-se que Miranda e Thiago Silva não olhem um pro outro em lances de bola parada, e vejam um rival subir sozinho e cabecear pra rede. Marcelo carece de eficiência nas descidas à frente.

Casemiro necessita de auxílio constante de Paulinho, e com reforço de Willian e Philippe Coutinho. Neymar deve soltar-se (e soltar a bola), está na hora de Gabriel Jesus aparecer. Em resumo: que o Brasil jogue, sob as graças da seleção do tri e que evite o “efeito Orloff” (“Eu sou você amanhã”, lembra da propaganda da vodca?). Quer dizer, que não se comporte, 24 horas depois, como a esquálida Argentina. 

*ANTERO GRECO É COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

 

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