Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Quebra de sigilo bancário de Marco Polo Del Nero é aprovada

Anúncio é do senador Romário, presidente da CPI do Futebol

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 11h16

A CPI do Futebol aprovou nesta quinta-feira a quebra de sigilo do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. O requerimento foi apresentado pelo senador Romário (PSB-RJ), que é o presidente da comissão parlamentar. Serão analisadas as movimentações bancárias do dirigente a partir de março de 2003.

"Como o Marco Polo Del Nero é hoje o presidente da CBF, e a CBF é a entidade maior do futebol e a mais corrupta, através da qual a gente tem visto essas falcatruas, essas ilegalidades e sacanagens, eu acredito que a quebra de sigilo desse senhor seja bem interessante para a gente entender o que ele realmente vem fazendo com o nosso futebol", disparou Romário.

Escalado pelo PMDB para ditar o ritmo da CPI, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é relator da comissão, afirmou que não era o momento de quebrar o sigilo do dirigente, mas foi voto vencido. 

O colegiado também aprovou a quebra de sigilo do empresário do setor de turismo e eventos, Wagner José Abrahão, parceiro da CBF. Foram convocados para depor na CPI os empresários Kléber Leite e Cristian Corsi. Leite é presidente da Kefler, empresa de marketing esportivo. Corsi é executivo da Nike no Brasil, empresa que fornece material esportivo para a seleção brasileira. O presidente do Vasco, Eurico Miranda, por sua vez, foi convidado a depor. A diferença entre convocação e convite é que os convocados são obrigados a comparecer à comissão.

O colegiado, no entanto, não aprovou a convocação de Del Nero e do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Segundo Romário, as investigações precisam avançar para que isso aconteça. "Mas vocês podem ter certeza, a palavra dada será a palavra cumprida, eles, por minha parte, serão sim convidados a vir à CPI, porque são pessoas que têm muito a nos contar sobre o futebol brasileiro", disse.

A CPI também aprovou o pedido para ter acesso aos contratos referentes aos amistosos da seleção brasileira dos últimos dez anos. Em maio deste ano, o Estado revelou contratos comerciais da CBF com seus parceiros. A entidade "vendeu" a seleção brasileira a representantes. As reportagens foram assinadas pelo correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade, que participou da audiência da CPI na terça.

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