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Queda de Platini teria sido orquestrada pela Fifa, acusam executivos

Ex-presidente da Uefa teria sido alvo de revanche de Valcke

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2016 | 07h17

A queda de Michel Platini teria sido orquestrada por Jerome Valcke e pela direção da Fifa, como uma revanche pelas revelações sobre como o ex-secretário-geral da entidade esteve envolvido no esquema de venda de entradas para a Copa do Mundo no Brasil, revelada pelo Estado

Essa é a acusação dos executivos da empresa JB Sports, autora da denúncia sobre o envolvimento de Valcke nas vendas de entradas no mercado negro. Em 2015, a companhia trouxe à tona documentos e e-mails apontando para o fato de que o francês negociou preços inflados para os jogos, com a condição de que ficasse com parte do dinheiro. Ele nega. Mas acabou sendo suspenso do futebol por dez anos.

Agora, em uma nova onda de revelações, a JB Sports indica que, três dias antes do vazamento dos e-mails, um de seus executivos, Benny Alon, foi até Genebra para se reunir no aeroporto da cidade com Kevin Lamour, braço direito de Platini. Sua intenção era a de prevenir o francês sobre as revelações que chegariam à imprensa.

Mas o que escutou foi que Valcke teria telefonado para Lamour, alertando que Platini teria de impedir que Alon soltasse a informação para a imprensa. O alerta veio ainda com uma ameaça: o vazamento dos dados seria seguido por uma resposta. "Segundo Valcke, se o plano continuasse, sérias consequências ocorreriam", declarou Alon.  

O empresário optou por ir adiante e, a um grupo de jornalistas em Zurique, entre eles o Estado, entregou documentos e e-mails provando o envolvimento de Valcke no esquema de entradas avaliadas em milhões de dólares. A resposta não demoraria para ocorrer. Sete dias depois, a Justiça suíça anunciaria que havia recebido documentos de uma fonte confidencial mostrando que Platini recebeu pagamentos de US$ 2,2 milhões por parte de Joseph Blatter, num esquema considerado como irregular. 

Platini justificou que o dinheiro se referia a um salário atrasado. Mas nem o Comitê de Ética da Fifa e nem o Tribunal Arbitral dos Esportes deram razão ao francês, o punindo com anos de suspensão e o retirando da corrida para a eleição na Fifa.  "Alguém na Fifa decidiu que Platini não poderia ser presidente", disse Alon, sem apresentar provas. 

O francês foi impedido de atuar em qualquer cargo no futebol e até mesmo foi obrigado a ficar longe dos estádios. Neste domingo, ele não poderá assistir à final da Eurocopa, com a França na final. O executivo admite que Platini assinou os balanços financeiros da entidade que escondiam o pagamento e que o dinheiro foi entregue de forma errada. Mas alega que ninguém dentro da entidade o alertou que não poderia receber. 

"A Fifa pediu que Platini fizesse um recibo. Como é que não avisaram que ele não poderia receber aquele dinheiro? A realidade é que os controles na Fifa não existem. As pessoas que deveriam proteger Platini não o fizeram", insistiu Alon. "Por quatro anos, ninguém disse nada sobre isso", disse. "O fato de o documento ter reaparecido não foi por acaso. Foi uma tentativa desesperada para atacar Platini", acusou Alon.

"Quando levamos tudo em consideração, não há como não pensar que houve alguém que não queria que ele fosse presidente", completou. 

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