Queda de ritmo preocupa Passarella

O que deveria ter uma reabilitação total acabou se transformando numa preocupação para o técnico Daniel Passarella. A queda técnica da equipe no segundo tempo, diante do Santo André, deixou até os próprios jogadores intrigados. Os dois sofridos no segundo tempo foi o principal sinal de alerta, na visão do goleiro corintiano. "O time ainda está oscilando muito. Fizemos um bom primeiro tempo mas não soubemos trabalhar o resultado. A equipe atacou, atacou, atacou. E nem sempre só atacar é a melhor alternativa".A expectativa do experiente goleiro era a de que o time soubesse usufruir melhor da vantagem, que chegou a ser de 3 a 0. "Evoluímos no primeiro tempo e regredimos no segundo", completou o goleiro. "Às vezes, você precisa usar melhor a situação da partida. Não é errado recuar, dar espaço ao adversário e depois contra-atacar. Mas o time ainda está se formando, vai evoluir com o tempo, vai amadurecer".Apesar do susto, os demais jogadores ficaram satisfeitos com o desempenho do Corinthians. Gustavo Nery lembrou que ?era importante vencer?, depois da surpreendente derrota para o Cianorte, pela Copa do Brasil. "Numa hora dessas, o mais importante são os três pontos", sintetizou o lateral.Ainda animado pela volta à Seleção Brasileira, Gustavo disse que seu futebol deve evoluir nas próximas partidas. "Não se pode esquecer que eu estava há três meses sem jogar, só treinando. E treino nunca é como jogo".Mais animado do que Gustavo Nery, só mesmo Bobô. O atacante fez o seu primeiro gol jogando no time profissional em 34 jogos, o que lhe dá esperanças de ser mantido na equipe. "O gol significa um bom crédito mas eu também fico feliz pela boa atuação, minha e da equipe. Agora, só espero ter uma seqüência de jogos para ganhar ritmo e aumentar a auto-confiança".Bobô foi substituído no final do segundo tempo mas o próprio atacante esclareceu que não saiu porque estava machucado. Como o esforço foi grande, ele cansou. Contrastando com a alegria de Bobô, o meia Roger não quis conversar com os jornalistas. Mais uma vez substituído pelo técnico Daniel Passarella, o jogador não conseguiu disfarçar quando deixou o gramado. Tirou a camisa, jogou sobre o ombro e desceu para o vestiário em silêncio. Na saída do estádio, pediu desculpas aos repórteres e não deu entrevistas.O clima entre Passarella e o meia ficou estremecido desde o jogo de quarta-feira, contra o Cianorte, em Maringá. Naquela partida, Roger também não gostou de ser substituído. Na quinta-feira, foi pedir explicações ao chefe. O técnico foi claro, dizendo que ele só saiu porque não estava marcando como deveria.Já o meia Carlos Alberto aproveitou a chance para dar um ´cutucão´ nas críticas, especialmente em que levantou suspeitas de que o grupo estava desunido. "Criaram uma série de situações que é tudo mentira. Jogaram uns jogadores contra os outros. E a gente mostrou em campo que o ambiente é bom. Que não existe desunião".De sua parte, Passarella disse que ´em linhas gerais´, ficou contente. O técnico disse ter entendido a queda no segundo tempo. "O time é jovem, estava ganhando por 3 a 0 e só pensou em atacar. Gostei dos primeiros 25 minutos e dos últimos 20 minutos. O Corinthians pressionou, marcou por pressão o adversário. Com o tempo, vai se acertar".Sobre Gil, que não foi aproveitado neste domingo, Passarella disse que não é uma decisão definitiva. "O Marcelo Mattos não jogou em Cianorte e jogou esta partida. No futebol, nada é definitivo". Sobre Roger, Passarella explicou que ele vai entrar em forma jogando. "É um jogador de muito talento. Vai ser muito útil quando estiver bem fisicamente".

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