Queda do Comercial acaba em confusão e arma apontada para o elenco

Jogadores afirmam ter sido ameaçados por segurança do clube em discussão com o presidente

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2014 | 15h02

SÃO PAULO - O rebaixamento do Comercial, de Ribeirão Preto, para a Série A2 do Campeonato Paulista, no último domingo, terminou com briga e ameaça de tiro. A confusão ocorreu durante uma parada na estrada quando o elenco voltava de Piracicaba, onde jogou pela rodada final da primeira fase e empatou em 1 a 1 com o XV. Os jogadores contam ter ido falar com o presidente do clube, Nelson Lacerda, para cobrar salários atrasados, mas ao se aproximarem, um segurança do dirigente teria mostrado uma arma.

"Já foi um episódio muito chato ter sido rebaixados e ainda por cima piorou porque o segurança apontou uma arma para a gente", contou o atacante Marcelo Toscano. O jogador afirmou que boa parte do elenco não recebe os salários há dois meses e buscaram reclamar com o presidente após uma entrevista dele para a Rádio 79 na tarde de domingo, em que confirmou ter atrasado o pagamento de propósito porque estava decepcionado com a má qualidade do elenco.

Dentro do ônibus o time soube da declaração. "Ficamos revoltados com o que ele falou. Nunca deixamos de trabalhar ou fizemos 'corpo-mole'. Treinamos de baixo de sol e chuva e com muita seriedade", afirmou Toscano. Na parada em posto de gasolina os jogadores tentaram reclamar com o presidente, que acompanhava a viagem em um carro. Um dos atletas gravou um vídeo da conversa e as imagens mostram que houve discussão, empurra-empurra e a tentativa do auxiliar técnico Emerson de conter o segurança do presidente.

Lacerda foi procurado para comentar o caso, mas não retornou as ligações. A assessoria de imprensa do Comercial disse desconhecer a confusão de domingo e admitiu que o clube ainda deve salários ao elenco. O pagamento deve ser feito nesta quarta-feira, quando está marcada uma reunião do Conselho Deliberativo.

O problema de salários atrasados foi recorrente no clube ao longo do Estadual. Antes do jogo contra o Corinthians, no Pacaembu, em fevereiro, o elenco fez greve e cogitou recusar entrar em campo. Apenas cinco jogadores ganham acima de R$ 20 mil por mês. Os titulares não recebem há dois meses e alguns reservas estão ainda há mais tempo sem pagamento. "Tenho dois filhos pequenos, esposa e estou passando dificuldades", contou Toscano.

"Durante o campeonato o pagamento só costumava sair quando o time se juntava para reclamar. O presidente falava que ia dar o dinheiro, mas não cumpria", disse o lateral Wilian Simões, que por estar suspenso, não participou do último jogo. "É lamentável acontecer isso no futebol e estamos magoados pelo presidente ter criticado a qualidade do time", comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.