Ricardo Nogueira/Efe
Ricardo Nogueira/Efe

Queda do Santos expõe equívocos de brasileiros na Libertadores

Dos oito times nacionais que iniciaram a competição, apenas o Grêmio continua na disputa pelo título

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2017 | 07h00

O Santos viveu o seu dia mais difícil do ano na quarta-feira. A tristeza pela eliminação na Copa Libertadores diante do Barcelona, do Equador, foi marcada por folga do elenco e reflexão sobre mais uma das decepções vividas pelo futebol brasileiro na competição.

A derrota por 1 a 0 teve como um dos momentos principais a expulsão de Bruno Henrique. O atacante cuspiu em um jogador adversário e escreveu um pedido de desculpas nas redes sociais. "No calor do momento do jogo, cometi um grande erro ao cuspir em um adversário e colega de profissão", comentou.

O adeus santista selou o terceiro ano seguido em que somente um time brasileiro chega às semifinais da Libertadores. Apesar do recorde de oito participantes no torneio, o País manteve o retrospecto e agora depende somente do Grêmio para quebrar o jejum de quatro anos sem títulos no torneio.

Para o ex-zagueiro Mauro Galvão, a rotina de frustrações na competição deveria fazer o futebol brasileiro mudar de postura. "Os clubes muitas vezes menosprezam os adversários. Veja o Barcelona, do Equador, por exemplo. Fisicamente o time é melhor e muito mais rápido do que os brasileiros que enfrentou e ganhou", disse ele, que foi campeão da Libertadores pelo Vasco, em 1998.

O declínio na participação de brasileiros em fases decisivas do torneio contrasta com o protagonismo conquistado pelo País recentemente. Nas últimas 25 edições da Libertadores, 19 finais tiveram a participação de pelo menos um clube do Brasil, retrospecto ameaçado agora pela série de fracassos.

"Há um momento de alternância no futebol. O Brasil dominou nos anos 1990, mas agora vemos países sem muita tradição crescer porque têm jogadores de nível de seleção", analisou Mauro Galvão. O ex-zagueiro chamou a atenção para o futebol equatoriano. No ano passado o país teve o vice-campeão, Independiente del Valle, e agora volta a colocar um representante, o Barcelona, entre os quatro mais bem colocados.

Na opinião do ex-diretor executivo do Inter, Newton Drummond, o Brasil tem sido superado por outros países porque só consegue enxergar os argentinos como rivais à altura e acaba por deixar de lado os outros adversários. "Houve evolução em outros países, principalmente na parte tática. Times colombianos e equatorianos são muito mais organizados que os brasileiros, que também pecam pela falta de liderança técnica e controle emocional", afirmou o dirigente, responsável por montar os elencos do Inter bicampeão da Libertadores (2006 e 2010).

ANÁLISE: Celso Roth

'Os rivais se preparam para eliminar brasileiros'

Os times dos outros países se preparam muito mais quando precisam enfrentar brasileiros ou argentinos na Libertadores. Além de o favoritismo nos atrapalhar muito, os adversários jogam a vida por saberem da superioridade técnica e pela chance de o confronto ser vitrine para os jogadores serem contratados por equipes maiores de ligas mais valorizadas como a nossa.

Os tropeços recentes dos clubes brasileiros na Libertadores têm como causa a nivelação do futebol na América do Sul e as grandes diferenças que existem entre o nosso campeonato e o torneio. A forma de disputa mata-mata é um desafio, fora condições como altitude, arbitragem e viagens longas. Muitos times brasileiros se consideram satisfeitos apenas por conseguirem se classificar à Libertadores, mas não consideram o quanto será difícil enfrentar essas dificuldades não tão evidentes.

* Técnico campeão brasileiro em 2010 pelo Inter

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.