Quedas traumáticas marcam Corinthians na Copa do Brasil

Quedas traumáticas marcam Corinthians na Copa do Brasil

Desde 2005, quando caiu diante do Figueirense, alvinegro paulista amarga eliminações devastadoras para o ambiente do clube

MATEUS DE SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 17h24

Tem sido uma constante para o Corinthians: após cair na Copa do Brasil, vem a crise. Foi assim em 2005, 2007, 2008 e 2013. Nos outros anos, o time não disputou o torneio por causa da Libertadores ou foi campeão (2009). A derrota surpreendente para o Atlético-MG, por 4 a 1, na noite de quarta-feira, é mais uma a confirmar essa sina. Já na saída do gramado do Mineirão, o goleiro Cássio soltou uma declaração polêmica."Tem gente que acho que não está preparada para jogar no Corinthians", disse o herói do Mundial de Clubes de 2012, que pelo segundo jogo seguido passou os minutos finais na área do adversário, tentando o gol.

O revés em Belo Horizonte também deixou o treinador Mano Menezes em situação complicada. Um dos elencos mais caros do Brasil, e com reforços de peso para a temporada, como Jádson, Lodeiro e Elias, o Corinthians agora depende apenas do Brasileirão para garantir vaga na Libertadores. O Alvinegro encontra-se na sexta posição, duas abaixo da necessária para atingir a competição continental. O presidente Mario Gobbi, no entanto, banca o treinador. Nesta sexta, a torcida ensaia fazer bagunça na porta do CT Joaquim Grava.

PÊNALTIS POLÊMICOS 

A sina começou em 2005. Na época, o Corinthians da MSI tinha um time milionário, com Tévez, Mascherano, Roger e Carlos Alberto. O técnico era o argentino Daniel Passarella, aposta de Kia Joorabchian, o homem-forte da parceria. Após uma virada heroica sobre o Cianorte-PR ainda na segunda rodada (perdeu o primeiro jogo, no Paraná, por 3 a 0, mas reverteu a vantagem com 5 a 1 no Pacaembu), parecia que o Corinthians se encaminharia para as fases finais da Copa do Brasil. O confronto com o Figueirense nas oitavas de final, porém, mostrou outro rumo.

Após vencer o primeiro jogo por 2 a 0, o time viajou a Florianópolis e enfrentou a pressão da torcida local no Orlando Scarpelli. Os catarinenses igualaram o placar corintiano e a decisão foi para os pênaltis, com vitória de Figueirense por 3 a 2. Carlos Alberto e Sebá desperdiçaram as cobranças, mas foi o chute isolado de Roger - barrado naquela partida por Passarela - que entrou para a história. Recentemente, o meia confirmou que mandou a bola para fora de propósito para se vingar do técnico.

Depois disso, o ambiente no clube, que já não era dos melhores após começo fraco no Brasileirão daquele ano - empate com Juventude por 2 a 2 e derrota para Botafogo por 3 a 1 -, piorou. No jogo seguinte, uma goleada sofrida para o São Paulo no Pacaembu por 5 a 1 derrubou Passarella.

Na Copa do Brasil de 2007, a eliminação foi para o Náutico, novamente nas oitavas de final. Após empatar com o clube pernambucano por 2 a 2 no Recife, o Corinthians perdeu por 2 a 0 no Pacaembu e deu adeus à competição. Era o primeiro jogo de Paulo César Carpegiani no comando do time, após substituir Emerson Leão. A torcida fez uma série de protestos no jogo, com direito a invasão de gramado. O treinador ficaria no cargo apenas cinco meses. A temporada, que começou péssima, acabou pior, com o rebaixamento para a segunda divisão.

No ano seguinte, a reestruturação do clube, com Mano Menezes, deu certo. O Corinthians fez campanha tranquila na Série B, garantindo o acesso a seis rodadas do fim. O único momento de turbulência, no entanto, veio na Copa do Brasil. Após jornada segura, o time chegou à final contra o Sport. No jogo de ida, no Morumbi, vencia por 3 a 0 até os 45 minutos do segundo tempo, quando, após bate e rebate na área, a bola sobrou para Enílton descontar. Na volta, no Recife, o Sport abriu 2 a 0 no primeiro tempo, e garantiu o título graças ao gol fora de casa.

NOVA CRISE

Em 2013, mais uma crise após queda na Copa do Brasil. Foi a primeira competição em que os clubes que disputaram a Libertadores entraram direto nas oitavas de final, caso do Corinthians. Após eliminar o Luverdense-MT, a equipe encarou o Grêmio, maior campeão do torneio. E, de novo, o protagonismo girou em torno de um pênalti.

Depois de dois empates sem gols, a decisão da vaga para a semifinal foi para as penalidades. Alexandre Pato, a segunda contratação mais cara do futebol brasileiro (cerca de R$ 40 milhões), encarou o gigante Dida - um dos melhores pegadores de pênaltis do mundo - com uma cobrança inusitada: cavadinha no meio do gol, fraca. O goleiro gremista defendeu sem dificuldade. O atacante, que fazia temporada irregular, passou a enfrentar pressão da torcida, que nunca se identificou com seu estilo. Ele ainda teve de responder ao elenco, que não gostou da forma como  bateu o pênalti e desclassificou o Corinthians.

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