Hélvio Romero/Estadão
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Quem ameaça os paulistas

O Flamengo é o rival com o qual o quarteto de São Paulo mais deve se preocupar

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2019 | 04h00

Quem olha a tabela de classificação do Brasileiro vê os quatro times de São Paulo entre os seis mais bem colocados. Santos (líder, com 32 pontos), Palmeiras (terceiro, com 30), São Paulo, (quinto, com 27, mas com um jogo a menos) e Corinthians, sexto, com a mesma pontuação do São Paulo. Em meio ao quarteto paulista, o Atlético Mineiro, quarto, também com 27 pontos, e o Flamengo, vice-líder com 30. Hegemônicos, os paulistas venceram 10 dos 18 campeonatos em pontos corridos, e ergueram o troféu nos últimos quatro anos.

A novidade que, pouco a pouco se desenha em tal cenário, vem do Rio de Janeiro. Dono da maior torcida do Brasil e marcado por ridículas administrações durante décadas, o Flamengo deu início a um resgate em 2013. Pagou a maior parte de sua imensa dívida, alavancou receitas e mudou sua imagem. 

De clube caloteiro e sem estrutura, virou ótimo pagador, com excelente Centro de Treinamentos. 

Em 2015, quando tirou Paolo Guerrero do Corinthians, que devia muito ao peruano, o clube carioca deu o primeiro sinal de que entraria firme no mercado. O movimento teve continuidade nos três anos seguintes, com o segundo mandato de Eduardo Bandeira de Mello na presidência. Desde janeiro, com seu sucessor, Rodolfo Landim, o jogo ficou mais pesado.

Bem mais agressivo no mercado, Landim passou a colher os frutos do trabalho realizado e abriu os cofres. Buscou Bruno Henrique e Gabigol no Santos, Arrascaeta no Cruzeiro e Rodrigo Caio no São Paulo. Eles se juntaram a atletas contratados no exterior, como Diego (ex-Fenerbahçe), Diego Alves (ex-Valencia), Everton Ribeiro (ex-Al Ahli, dos Emirados Árabes) e Vitinho (ex-CSKA Moscou).

Na janela de meio de ano, o Flamengo contratou mais quatro na Europa, Rafinha (ex-Bayern de Munique), Filipe Luís (ex-Atlético de Madrid), Pablo Marí (espanhol do Manchester City, então cedido ao Deportivo La Coruña) e Gérson (da Roma e que estava emprestado à Fiorentina). Ainda ameaçou trazer o centroavante italiano Mario Balotelli. Os rubro-negros tentaram cinco aquisições na Europa e conseguiram quatro.

Sábado, diante do Vasco, em Brasília, o Flamengo venceu por 4 a 1, apesar de um primeiro tempo fraco. Como em jogos anteriores, o talento decidiu para o time treinado há menos de dois meses pelo português Jorge Jesus. A equipe estava a oito pontos do Palmeiras quando o certame parou para a disputa da Copa América, mas já se igualou. Tinha oito pontos de desvantagem para o líder, Santos, há duas rodadas, agora são dois.

Autor de 10 gols em oito jogos com Jesus, Gabigol é o artilheiro do Brasileirão. Ele soma 11, enquanto Bruno Henrique aparece logo atrás, com sete, e Arrascaeta possui seis. No ano, o trio acumula 50 tentos e 24 assistências. 

Mas é um time ainda necessitando de ajustes. Não por acaso não foi vazado somente em uma das 10 partidas sob a batuta do português.

A força rubro-negra também vem sendo demonstrada na arquibancada. No Maracanã, do qual é atual gestor, ao lado do Fluminense, tem média de público excepcional: 50.304 torcedores por peleja. Sábado, na goleada sobre os vascaínos, em Brasília, os flamenguistas eram ampla maioria entre os 65.418 presentes. Seu poderio é crescente.

Claro que os rivais lembrarão recentes fracassos em tentativas de erguer troféus que ficaram “no cheirinho”. Contudo, independentemente do desfecho dos certames que o Flamengo ainda disputa em 2019, o clube amplia seu poderio em campo e dá claro sinais de que assim continuará sendo. Nesse atual campeonato e nos próximos, é o rival com o qual o quarteto paulista mais deve se preocupar.

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