JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO
JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO

'Quem comanda a arbitragem não é tão preparado', diz Ceretta

Guilherme Ceretta de Lima critica política nos bastidores

Almir Leite e Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2015 | 17h00

Guilherme Ceretta de Lima tem 31 anos sendo dez deles como árbitro da CBF e da Federação Paulista. Aspirante a entrar no quadro da Fifa, ele resolveu que não vai apitar mais jogos no Campeonato Brasileiro. O motivo: a política nos bastidores. 

O que fez você desistir de apitar jogos do Brasileiro?

A falta de critério fez com que eu resolvesse que aquilo não era mais para mim. Existe uma política que faz com que precise mais do que capacidade para ganhar espaço e as pessoas que comandam a arbitragem hoje não são tão preparadas. Eles não foram grandes árbitros e não têm conhecimento para estarem lá. Por isso, continuarei na Federação Paulista, onde concordo e respeito a forma de trabalho. O Coronel Marinho se preparou e tem pessoas em sua volta capazes. 

O que seria a falta de critério que você reclama?

Abrimos demais o leque da arbitragem. Na necessidade de fazer política com todos presidentes de federações, temos árbitros no Brasileiro que apitam jogos de Estaduais com pouca expressão e quando chegam em jogos grandes, se assustam. Vejo árbitros no Paulistão, que não estão na CBF, melhores do que alguns que estão. Eu e um outro árbitro erramos na mesma rodada. Ele voltava duas rodadas depois e eu ficava dez fora. Esses dois pesos e duas medidas incomodam.

Você é árbitro da CBF há dez anos. Por que só agora desistiu?

Por causa das pessoas que estão lá agora. Eles não dão espaço para árbitros que têm uma carreira vitoriosa. Por exemplo, por que o Carlos Eugênio Simon e Sálvio Spinola não participam do processo?

Não teme que essa postura o atrapalhe na FPF? 

Falei com o Coronel Marinho e ele me deu tranquilidade. 

Você era aspirante ao da Fifa...

Sim, fiquei por anos como aspirante. Outros que chegaram depois foram chamados e eu continuei como aspirante. Isso faz parte da política, que respeito, mas não concordo.

Por que não compareceu aos testes físicos da CBF? 

Eu já tinha decidido que não continuaria. Tive dez rodadas com todos os pré-requisitos para ser escalado e não fui. Agora, fica fácil justificar que não estou sendo escalado por não cumprir tais requisitos.

Existe pressão para favorecer algum time? 

Nunca passei por nenhuma situação como essa. As pessoas no comando são honestas. O que falta é qualidade para gerenciar pessoas.

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