Quem forja resultados pode ser derrotado, diz Fifa

Os responsáveis por determinar o resultado de jogos de futebol podem ser derrotados e a recente onda de casos é um sinal de sucesso na luta e não de fracasso, disse o chefe do setor de segurança da Fifa, Chris Eaton, na sexta-feira.

BRIAN HOMEWOOD, REUTERS

16 de setembro de 2011 | 11h27

"Eu entrei (para a polícia) ainda bem jovem na Austrália, trabalhei em investigações internacionais contra o crime organizado, principalmente nos últimos 20 anos, e acho que isso pode ser derrotado," disse Eaton à Reuters.

"Creio que com uma boa diligência, bom regulamento e boa vigilância, vamos erradicar as oportunidades da criminalidade assumir esse esporte," acrescentou Eaton, que trabalhou para a Interpol por mais de uma década antes de entrar para a FIFA.

"Podemos acabar com isso, essa não é uma situação impossível."

O futebol vem sendo atingido por uma série de jogos arranjados na Grécia, Turquia, Itália, Coreia do Sul e Finlândia, assim como amistosos internacionais.

O caso turco forçou o Fenerbahce, campeão da temporada passada, a ser retirado da Liga dos Campeões, enquanto o Atalanta da Série A teve seis pontos deduzidos na Itália.

Na Coreia do Sul, o governo ameaçou fechar a liga de 16 clubes depois que 46 jogadores foram presos em julho em ligação com tentativas de arranjarem 15 jogos de junho a outubro do ano passado.

Wilson Raj Perumal, de Cingapura, foi condenado a dois anos de prisão na Finlândia enquanto nove jogadores --sete zambianos e dois georgianos-- foram condenados a penas suspensas por tentarem arranjar o resultado dos jogos.

"Esse é um indicador de sucesso, não um indicador de fracasso," disse Eaton.

"A verdade é que a polícia está investigando, e no passado não estava, talvez haja um interesse no arranjo de jogos onde não havia antes. Isso não é um tipo de epidemia, é uma epidemia de fazer a lei, e vai ajudar a acabar com o interesse criminoso no futebol."

No início do ano, a Fifa criou uma força-tarefa com a Interpol, prometendo doar 20 bilhões de euros (27,7 bilhões de dólares) para a causa nos próximos 10 anos.

O presidente da Uefa, Michel Platini, descreveu o arranjo de jogos como a maior ameaça ao esporte.

Eaton acrescentou que o amistoso de junho entre a Nigéria e a Argentina, que foi vencido pelos africanos por 4 a 1, ainda está sob investigação e que ele ainda queria falar com Ibrahim Chaibou do Niger.

"Nós estamos tentando envolver o árbitro, até agora sem sucesso, ele se aposenta este mês, mas vou tentar falar com ele e obter o seu lado da história, não acabou."

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