Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

'Quem sabe um dia serei técnico do São Paulo', afirma Rogério Ceni

Perto do adeus, goleiro planeja vida fora dos gramados

Entrevista com

Rogério Ceni

Ciro Campos, Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2015 | 07h00

Após 25 anos, Rogério Ceni começa a se despedir de sua rotina diária de treinar e jogar pelo São Paulo. O goleiro se esforça para conseguir disputar o último jogo oficial no domingo, contra o Goiás, no Serra Dourada, mas admite que pode ficar fora da partida que vale vaga na Libertadores. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele revela que pretende investir em palestras motivacionais, quer estudar o futebol e admite o desejo de treinar o São Paulo um dia.

Você vai jogar no domingo?

Estou trabalhando. Esta lesão tem sido uma das coisas mais desagradáveis do final da minha carreira. Senti no momento que era grave porque não parava de doer e, no dia seguinte, quando fizemos o exame, foi constatada uma ruptura do ligamento. Mesmo assim, eu me conheço e sempre voltei antes do prazo, mas essa não estou conseguindo. Hoje (segunda-feira) foi o melhor dia, que consegui amanhecer com menos dor. Tentei voltar para o campo para correr, senti dor e parei. Na quarta-feira, fiquei 20 minutos no campo, mas não conseguia fazer os movimentos. Na quinta, não conseguia aguentar de dor. Vou esperar até quarta para fazer um teste, mas não é uma coisa fácil. Estou 32 dias sem treinar. Tem o meu desejo e o que o time precisa neste momento. Se conseguir voltar sem dor, treinar, aí tudo bem. Caso não dê vou ajudar na parte motivacional, ficar junto para fazer este último jogo fora do campo.

Você temeu ter de antecipar sua aposentadoria?

Era uma lesão chata, mas o tornozelo estava estável e, por isso, não era uma questão cirúrgica. Só não esperava permanecer tanto tempo fora. Sempre suportei bastante dor, joguei muitas vezes com dor, tomei injeção para jogar, mas em uma condição que eu conseguia fazer os movimentos. Neste caso está sendo diferente. Chega uma hora que eu preciso tirar o peso do corpo porque não aguento de dor no tornozelo. Assim fica impossível jogar.

Você só vai jogar se sentir que não vai prejudicar o time?

Dentro de tudo que aconteceu em 2015 é uma condição ainda favorável para o objetivo de estar na Libertadores. Quero ajudar da melhor maneira possível. Se eu não estiver em condições de fazer um bom papel em campo não vou atrapalhar. Tenho de avaliar.

A vaga na Libertadores pode mudar alguma coisa na sua decisão?

Não, chegou o momento. Eu já tinha decidido parar em comum acordo com o clube no ano passado, mas eles insistiram que eu ficasse para mais uma Libertadores. Depois pediram para que eu continuasse até o final do Brasileiro. Estava me sentindo bem para jogar. Aí sofri uma lesão na virilha contra o Ceará, que até hoje me atrapalha. Tomei injeção para jogar aquela partida decisiva da Copa do Brasil. Agora esta lesão. Nos últimos anos, até pelo desgate do corpo, as lesões são naturais. Tem uma hora que o corpo será colocado à prova. Trabalhei até os 36 anos sem lesões graves, foram três artroscopias, mas coisa de 30, 35 dias de recuperação. Até que em 2009 teve aquela do tornozelo e, em 2012, do ombro. Eu acho que o passado às vezes precisa morrer para que nasça um novo futuro. Vou para 43 anos, não sou mais nenhuma criança, e chegou o momento de outras pessoas darem sequência no meu trabalho. A decisão estava tomada até mesmo antes desta lesão. Esse seria o meu último ano. Queria encerrar com o título da Libertadores, não foi possível, mas, quem sabe, posso parar com o time garantindo vaga na Libertadores.

A classificação seria um prêmio por tudo que aconteceu neste ano?

Sem dúvida. Pelo cenário, diante das circunstâncias que foram apresentadas, conseguir uma vaga na Libertadores, seria uma prova da grandeza do clube, da grandeza da camisa do São Paulo.

Como você imagina que será sua sucessão em termos de liderança?

Na vida é assim, quando existe necessidade, as pessoas aparecem, se formam novos líderes. Alguém tem de tomar frente. Como eu tive bons exemplos, como Raí, Zetti, Ronaldão, Pintado, caras que convivi no começo da década de 1990. Agora outros terão de aparecer. Já temos alguns, como o Rodrigo (Caio), Lucão, que são jovens, não tem um lastro de títulos nas costas para assumir este papel, mas que tem voz ativa. O (Alan) Kardec também é um cara muito profissional, tem uma consciência muito grande, vi uma entrevista bacana dele depois do jogo contra o Atlético-MG, ele sabe o que fala. Tem o Ganso também. Podem chegar outros jogadores mais rodados. Alguém terá de ocupar este lugar. Isso é necessário para o time. Tudo isso, quem sabe, com um treinador experiente, para ajudá-los.

E no gol? É diferente entrar sabendo que você vai voltar de assumir definitivamente o seu lugar?

Posso falar pela experiência que eu vivi com o Zetti. Joguei umas 40 partidas sendo reserva dele e depois me tornei o titular. São situações distintas. Quando você tem uma oportunidade rara quando o titular se machuca ou vai para a seleção tem de mostrar tudo porque a oportunidade pode passar, ir embora e vem outro. Fui muito bem quando o Zetti não pôde jogar, seja com o time reserva, o Expressinho, quando conquistamos até um título internacional (Copa Conmebol). Aí, quando vem uma oportunidade de ser o titular, depende da sua maturidade. O Denis, por exemplo, tem 80 jogos pelo São Paulo. O torcedor o conhece, tem uma expectativa sobre ele, sabe virtudes, deficiências, cria uma identidade. O Renan (Ribeiro) também pôde jogar sete, oito jogos agora. Os dois têm muita capacidade, tem o Leo também. Os três estão prontos. Agora, se vier um período mais fácil, com títulos, o torcedor vai abraçar. Se pegar um período mais difícil é sempre mais complicado para encaixar. É uma das posições em que o São Paulo está tranquilo. São jogadores de 28, 26 e 25 anos, estão no auge da forma física. Com 28 anos eu estava pronto para seguir minha carreira. Se acertar um time bacana, eles têm tudo para dar uma sequência de dez anos no gol do São Paulo.

Mas não tem intenção de continuar aqui?

Não tenho nenhum plano. Tenho compromisso até o dia 15 de dezembro. Depois disso quero descansar, pelo menos uns 45 dias. Aí, quem sabe, começar um novo ciclo de palestras. O ano de 2016 será difícil para o setor empresarial. É um nicho bacana de trabalho. Posso passar um tempo fora também, estudar futebol. Já falei com o Osorio que quero passar uma semana acompanhando o trabalho na seleção mexicana. Quero ir para os Estados Unidos para acompanhar um pouco o trabalho do Klinsmann. Ele foi receptivo quando falei com ele aqui no CT. Também quero viajar à Europa para entender um pouco mais do futebol moderno. Independentemente de ser treinador no futuro, do que eu escolher, é 99% de chance de estar ligado ao esporte, que é onde tenho experiência. Qualquer conhecimento é importante. Vou tentar aprimorar, aprender...

Em uma entrevista para o Estado, você disse que não se via como treinador, até porque gostaria de trabalhar no São Paulo e sabia do risco de ser demitido depois de três, quatro resultados ruins. O pensamento mudou?

Tenho muita vontade de estender o meu conhecimento do gramado, da experiência que tive com todos os treinadores com quem trabalhei, mas também tenho receio. Tenho uma história grande aqui, não gostaria que... Primeiro o treinador é uma peça muito importante, mas ele não é o único fator que vai levar ao sucesso. Nem o treinador nem os jogadores. Temos de ter uma simbiose de todos os envolvidos no trabalho. Mas, quem sabe, para o futuro, mais adiante, eu me arrisque nesta carreira. Por enquanto, quero aprender, evoluir, adquirir o máximo de conhecimento e tem de ver se o clube quer o seu retorno. Agora, em outro clube, não dá para trabalhar em rivais. Não caberia isso dentro da história. Mas quem sabe aqui no São Paulo ou até fora do país.

Qual foi o maior rival e o atacante mais temido?

O atacante foi o Romário. Joguei muitas vezes contra ele e levei alguns gols. Enfrentei o Ronaldo também, mas tive sorte de não sofrer gols nas quatro, cinco vezes que eu pude enfrentá-lo. Já o Romário tinha muita qualidade na frente do gol, finalizava muito bem, antecipava o chute com o bico da chuteira, a bola saia muito rápida e forte. A rivalidade fica restrita a Corinthians, Palmeiras e Santos. São quase 180 clássicos. É maior número de jogos, são os times que você enfrenta em finais ou momentos importantes de competições.

Qual o seu melhor momento da carreira? 

É difícil escolher em mais de 1200 jogos, mas claro que os melhores momentos são aqueles que culminam com títulos importantes. O ano de 2005 foi espetacular. Foram três títulos, 21 gols em uma temporada, o que é um número expressivo para um goleiro. Um gol a 3,5 jogos. É uma média excelente. Foram 11 gols de falta. Se fosse para escolher um único ano seria esse, que fica praticamente no meio da carreira. Dez anos para lá e dez anos para cá. Mas tenho jogos fantásticos, o tricampeonato brasileiro, a Sul-Americana recente, com o Lucas indo embora, a Conmebol de 1994, o meu primeiro título. Não vou comparar com o Mundial, mas foi superimportante para afirmação da minha carreira, para as pessoas acreditarem que eu poderia substituir um grande goleiro. Ter vivido 1993 com grandes caras, que conquistaram o mundo. Todos os dias no São Paulo são muito bacanas, de aprendizado e alegria.

Como imagina que será o primeiro dia sem o São Paulo?

Imagino com muita alegria mistura com tristeza. Hoje estou falando sorrindo, mas, no dia, será chorando. Tento não pensar muito. Tomara que aconteça com a maior naturalidade possível. Fico feliz de unir duas gerações de campeões mundiais pela primeira vez no Morumbi para o torcedor, aquele que viu o título de 2005, com cinco, seis anos até o de 70, ter esta oportunidade. Será um momento épico, muito importante na minha trajetória.

Algum arrependimento?

Não. Queria ter ganho mais do que você ganhou, queria não ter errado nenhuma vez, queria ter feito a escolha certa, a defesa certa, a bola que bateu trave e você queria que tivesse entrado na falta, o pênalti que você perdeu e queria ter convertido. A vida é assim em todas as áreas, setores e profissões. São erros e acertos. Se fossem só conquistas, só ganhar, não teria graça. Sou grato pela oportunidade de ter feito tudo como aconteceu. As glórias e as conquistas só tiveram tanto sabor porque infelizmente derrotas aconteceram. E a gente dá valor e sabe diferenciar o sabor de uma grande vitória e a tristeza de uma grande derrota. Só quem se entristece quando perde, pode saber do tamanho que é a alegria de uma conquista importante. Então, para mim, foi vivido o que tinha ser vivido, da maneira certa.

Você lamenta não ter recebido mais espaço na seleção brasileira?

De maneira nenhuma. Sou muito feliz porque pude estar em duas Copas do Mundo. Infelizmente joguei minutos de uma partida só. Participei de Eliminatórias e de jogos amistosos ao longo de quase dez anos. Talvez pudesse estar presente em uma Copa do Mundo em 2010, porque vinha de anos muito bons no São Paulo, com o time em uma sequência de títulos entre 2005 e 2008 e até 2009, quando brigamos pelo título do Campeonato Brasileiro até o final. Mas não estive presente nessa Copa. Ainda assim, sem frustração alguma. Muito pelo contrário. Confesso que sempre gostei muito mais de trabalhar aqui todos os dias do que em um ambiente que não era o meu do dia a dia, que era uma seleção brasileira. Acho extremamente valioso, honroso, você vestir a camisa da seleção, mas sou muito feliz pela minha história aqui e por vivido parte da história na seleção. Foram mais de 40 convocações, acho que 17 jogos, duas Copas do Mundo, uma como vencedor e outra saindo como derrotado, uma Copa das Confederações, enfim. É uma história pequena se comparada à história que tenho no clube, mas foi um momento legal, marcante da minha carreira. Sem arrependimento algum, pelo contrário. Sou grato pela oportunidade que tive de estar presente lá. Gosto mais da minha história escrita aqui.

O que você tem achado das mudanças na seleção brasileira após a última Copa do Mundo?

Acho que conceitualmente nós tomamos uma aula de futebol da Alemanha. O placar final do jogo foi exageradíssimo. Não é a realidade nem de Brasil e o país que esteja agora em último lugar das Eliminatórias Sul-Americanas. Não era a diferença real entre Brasil e Alemanha. Mas acho que nós precisamos rever conceitos fora do campo, a começar por aí. Nós não podemos ter o presidente de uma Confederação Brasileira de Futebol que não possa viajar com a seleção brasileira. Uma vez, tudo bem, duas, OK, mas na terceira você não tem como explicar. Então acho que vai muito de encontro com o que é a política no Brasil, nos clubes, no que vem acontecendo, acho que as mudanças ou começam daí ou não vão acontecer. Acho que a principal mudança está fora das quatro linhas. Dentro de campo, acho que a gente tem que crescer, é claro. Os talentos que se destacam aqui acabam indo para a Europa rapidamente. Mas acho que o Campeonato Brasileiro deste ano, por exemplo, foi bom, muito bem disputado, tivemos a evolução dos estádios que foram utilizados para a Copa do Mundo. Isso é bacana, tem melhores acomodações, o público se sente mais confortável, mas ainda temos que evoluir principalmente em questão de gramados, organização, conforto para o torcedor. Acho que agora o sócio torcedor está virando algo que os clubes estão descobrindo, é um novo nicho de rentabilidade e o próprio torcedor se sente mais próximo dos times. Tem muita gente sem patrocinadores. Deve vir um ano de recessão e de crise em 2016, então é preciso arrumar uma maneira de se sustentar, porque na fase que o País vive, isso se reflete. A primeira coisa que uma empresa pensa é em cortar gastos e investimentos em, principalmente, em futebol, onde as administrações não são muito confiáveis. Falo disso em geral, nos clubes pelo Brasil.

Falta gente do futebol, como ex-jogadores, nessa área? Isso é o caminho?

Até certo ponto. Falta gente também com capacidade administrativa e que trabalhe em prol do futebol, pensando no clube e não em si próprio, assim como na política. Assim como você elege um governador, um senador, e que no fundo quando se colocam na situação, trabalham mais por si próprio do que para o povo que o elegeu. Assim também é dentro do futebol. Mas sem dúvida nenhuma que o ex-atleta de futebol, aquele que tem identificação, de cada um ter dentro do seu clube, ter um conjunto de pessoas que possam avalizar se um determinado jogador se encaixa em um padrão, quanto o clube tem para gastar, se vale a pena investir. Deveria ter uma comissão especializada formada por pessoas que foram vencedoras na vida e que poderiam ajudar. Como acontece, por exemplo, no Bayern de Munique, onde tem o Breitner, Rummenigge, jogadores do clube e que analisam uma contratação de um atleta ou treinador. Mas no nosso País é um pouco diferente. A área política é primária e o futebol acaba sendo sempre secundário. Mas isso poderia ajudar bastante. Por exemplo, o Zico ou o Junior poderiam fazer parte de um Flamengo na hora da montagem de um elenco, ter uma participação em reforços, avaliar os trabalhos. Seriam comissões de atletas vitoriosos e experientes, que são unanimidades nos clubes pela sua história, poderiam ajudar bastante na parte administrativa.

Como você acompanhou o ano conturbado na política do São Paulo?

Foi um ano muito atípico. Nós tivemos 2013, quando passamos muitas dificuldades, ficamos na zona de rebaixamento do Campeonato por algumas rodadas, um projeto mal feito para o ano com viagens. Rodamos de São Paulo para Frankfurt, de lá para Munique, depois Paris, Tóquio e voltamos para São Paulo depois de 12 dias. Isso tendo que jogar quatro partidas e dois dias depois enfrentar a Portuguesa. Isso era certeza que ia dar errado. Mas quando a viagem foi programada, não se sabia como estaria o futebol. Agora quando acontecer coisas como em 2015, é diferente. A gente também não pode avaliar o clube perante a única pessoa que viveu 18 meses daquele clube. Não podemos julgar a história do clube pelo fato de uma pessoa ter cometido supostamente erros quando presidente da entidade. O São Paulo tem camisa. Tanto é que com muitos erros, com uma administração muito complicada, nós ainda estamos em uma situação em que muitos gostariam de estar, que é fechar a última rodada de Brasileiro em uma disputa de vaga de Libertadores. Primeiro, temos que esclarecer. O torcedor cobra, a imprensa cobra isso. Já que a história se tornou pública, que se faz importante esclarecer o que aconteceu para que todos possam ter uma avaliação melhor e tentar melhorar, evoluir, crescer, trazer gente que queira bem o clube.

Fora o futebol, pensa em investir na carreira política?

Não. Eu não gosto. A política está em tudo o que você faz, está sempre presente. Mas a política de vereador, deputado, não sou chegado. Não me atrai nenhum pouco. Quanto mais você consegue fazer o bem para as pessoas, é legal, mas o sistema é muito cruel. Eu não quero ter esse tipo de experiência. Admiro aqueles que fazem o bem para as pessoas, que seguem nessa linha, mas a gente vê exemplos que em grande parte são ruins. E agora está aflorando cada vez mais essa ideia de ser para si e não para quem o elegeu. Então não tenho nenhuma intenção política. Penso que ano que vem, como é um ano muito difícil para empresas, uma área muito bacana de se investir é em palestras motivacionais. Para quem tem uma história dentro do esporte, que ganhou tanto, sempre é possível traçar um paralelo para o lado empresarial. Acho que é possível ligar uma área à outra. Gosto bastante de falar, de tentar colocar as minhas ideias e isso é uma área em que você não mexe com política, nem envolve seu nome em coisa errada e pode ter uma vida mais saudável.

Como tem se preparado para ser palestrante?

Eu faço palestras há alguns anos. Nesses últimos as datas ficaram difíceis. O futebol é ingrato. Grandes eventos para empresas são quase sempre em finais de semana, datas que não têm como prever com antecedência. Agora vai dar para investir melhor. Eu gosto muito de ler biografias, de histórias de gente do esporte. Li sobre o Michael Jordan, que é um cara que tenho como ídolo, sobre Ayrton Senna, Roger Federer, Rafael Nadal, de caras que foram diferenciados no esporte que praticaram. Gosto muito dessa leitura, desse aprendizado na área esportiva. Do jornalismo esportivo eu também gosto bastante, mas não de outras coisas, como especulação. Gosto de matérias bacanas, de fatos reais.

Você é o maior ídolo da história do São Paulo?

Não tenho a mínima ideia. Eu acho que terei meu nome lembrado dentro da história do clube por todos aqueles que viveram esses anos com conquistas expressivas, com situações amargas, difíceis, alegres, tristes, choro. Tenho orgulho muito grande. Os títulos que ganhei serão lembrados com muito carinho. As coisas que mais me fazem bem são quando meus amigos ou pessoas que encontro na rua falam: "Meu filho é são-paulino por sua causa" ou "Meu pai é corintiano, mas sou são-paulino por sua causa". O crescimento da torcida nos últimos anos, que veio com a geração do Raí, Cafu, Muller e Palhinha, com a geração nova, da qual faço parte. Influenciar gente que só viu eu jogar no gol do São Paulo, pessoas mais jovens, com menos de 20 anos. Esse é o maior orgulho e vitória que trago na minha vida. A cada década ou época se tem um grande ídolo. Para alguém de 70 anos, talvez seja o Pedro Rocha. Para quem tem 40 anos e viveu o auge do São Paulo, pode considerar o Raí. É algo muito de época. Mas tenho certeza que faço parte de um grupo seleto de jogadores que marcaram a história do clube.

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