Benjamin Cremel/AFP
Benjamin Cremel/AFP

Quem vai sobrar? Maioria da seleção brasileira atual deve estar apta para 2022

Mais jovens devem continuar na equipe, enquanto garotos, como Vinícius Jr. e Rodrygo, pedem passagem

Almir Leite, enviado especial / Kazan, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 05h00

Vários jogadores que fizeram parte do grupo brasileiro que esteve na Rússia poderão ter uma nova chance em 2022, no Catar. São jogadores de até 26 anos, muitos dos quais disputaram seu primeiro Mundial agora e que estarão mais experientes daqui a quatro anos. E a eles poderão se juntar novas revelações que despontaram nas duas últimas temporadas no País.

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A rigor, dos 23 atletas escolhidos por Tite, a maioria terá condições de pleitear uma nova oportunidade de ser campeão do mundo pela seleção brasileira. É o caso de um dos melhores jogadores da equipe em gramados russos, Philippe Coutinho. Com 26 anos e atingindo uma fase de maturidade, o meia do Barcelona poderá ser um dos expoentes da equipe na edição do Catar. Até lá ele terá 30 anos.

Os “aproveitáveis” começam no gol. Dois dos três goleiros de Tite são jovens. Alisson se firmou na Roma, desperta o interesse de várias equipes europeias e o próprio treinador de goleiros da seleção, Cláudio Taffarel, acredita que ele atingirá o auge em 2026, quando terá 29 anos. Mas, se não se cuidar, poderá ser superado por Ederson. O goleiro do Manchester City, aliás, foi convocado desta vez mais para ganhar experiência para o futuro. Hoje com 24 anos, é considerado forte candidato a ser titular na outra Copa.

O zagueiro Marquinhos, de 23 anos, provavelmente reassumirá a condição de titular da seleção ainda nos amistosos deste ano. Ele foi preterido na Copa do Mundo porque Tite optou por uma dupla de zaga mais experientes, mas com a aproximação do fim da trajetória de Thiago Silva e Miranda (ambos têm 33 anos), ele deverá assumir o papel de líder da zaga.

As laterais são problemas, uma vez que dos quatro chamados apenas Danilo ainda não está velho a ponto de ser preterido. Mesmo assim, já terá 30 anos quando chegar a próxima competição. Mas Marcelo, Filipe Luís e o próprio Fagner parecem ter o ciclo encerrado.

No meio de campo, Casemiro vai continuar por muito tempo na seleção, desde que esteja jogando bem. Hoje ele tem 26 anos. Fred (25) também tem chance de se manter, mas para por aí. No ataque, Gabriel Jesus, hoje com 21 anos, terá amplas possibilidades de ser firmar e Roberto Firmino e Douglas Costa não podem ser descartados por completo. Neymar, então com 30 anos em 2022, poderá estar em grande fase na carreira na Copa do Catar, se mantiver a evolução.

Se alguns jogadores estão se despedindo da seleção – Fernandinho, Paulinho e Renato Augusto também estão nessa condição –, há outros surgindo no futebol brasileiro, alguns, aliás, já saíram do País prematuramente. Eles podem começar a frequentar com assiduidade as convocações e fazer parte do grupo a ser montado para 2022.

O exemplo mais expressivo é Vinícius Júnior, atacante revelado pelo Flamengo. Com 16 anos, ele foi negociado com o Real Madrid para onde acaba de ir, agora que atingiu a maioridade. Rápido, insinuante, veloz e driblador, ele já foi observado pelo atual treinador da seleção e, se Tite for mantido no cargo como ele quer, e como a CBF também planeja, poderá ganhar uma chance em breve, até para poder ir adquirindo experiência.

 

Outro atacante revelação que, se continuar jogando o bom futebol que o fez se firmar no Santos, vai entrar na mira da seleção brasileira é Rodrygo. O jogador ainda é menor de idade – vai completar 18 anos apenas em janeiro do ano que vem –, mas já joga como “gente grande”. O garoto é outro alvo dentro do processo de renovação da seleção brasileira.

Há ainda outros atacantes jovens em processo de evolução que certamente entrarão no foco do time para o novo ciclo. O ex-jogador do São Paulo David Neres é um deles. Richarlison, que jogou pelo Fluminense e está atualmente no futebol inglês, e Lincoln, que está surgindo no Flamengo, são nomes monitorados. Sem contar o gremista Luan, que tem a experiência de ter sido campeão olímpico com a seleção em 2016, no Rio, mas que não teve grandes oportunidades com Tite. Luan tem tudo para se firmar com a camisa da seleção nacional agora.

Quem perdeu a Copa da Rússia por lesão foi o volante Arthur, do Grêmio. Ele se machucou numa época em que poderia ser testado por Tite. Negociado com o Barcelona, ele deve começar a figuras nas listas do Brasil. Ele vai precisar passar por um período de aclimatação ao clube catalão mas, mesmo jogando pouco em seu novo time, deverá estar nas próximas convocações da seleção brasileira.

MEIAS

Jogador de meio de campo, porém mais ofensivo, Paulinho, que o Vasco acaba de mandar para o futebol alemão, é outro que será monitorado daqui para frente pela CBF.

Na defesa também há atletas com possibilidade de servir a seleção mais rotineiramente. Na lateral-direita, Fabinho é bem cotado, embora tenha se fixado no meio de campo na última temporada. Do outro lado, o esquerdo, o ex-flamenguista Jorge e o ex-corintiano Guilherme Arana, atualmente no Sevilla, também podem ser lembrados.

Se Tite continuar mesmo à frente da seleção – tudo indica que sim e a CBF planeja oferecer-lhe um contrato de quatro anos –, a introdução de jovens jogadores na equipe será gradativa. O treinador tem medo de “queimar” etapas de alguns atletas e de colocar muita gente nova ao mesmo tempo em campo. Assim, usará as próximas convocações para testar aqueles que considera ter possibilidade de jogar com técnica e confiança. Vai chamar no máximo três ou quatro por vez e ir colocando aos poucos para atuar.

AMISTOSOS

Os amistosos deste ano – em setembro a equipe tem jogo agendado contra os Estados Unidos fora de casa – já servirão para o início deste laboratório. Mas talvez a renovação não seja vista em grande número na Copa América do próximo ano, a ser disputada em casa e que o Brasil tem quase obrigação de ganhar. Depois disso, o processo será acelerado.

 

 

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