Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Quer ser presidente de clube de futebol? Veja se tem condições para isso

Não basta torcer e amar o time para se lançar ao cargo mais importante do clube

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2020 | 05h00

Alguns dos principais clubes de futebol do Brasil preparam a sucessão de seus respectivos presidentes. O sistema de gestão no futebol, assim como no Brasil, é presidencialista. Manda o candidato eleito. Os chamados conselhos deliberativos são órgãos que se propõem independentes dentro dos clubes. Uma de suas responsabilidades é aprovar as contas do presidente. A intenção é boa. Na prática, raras exceções contrariam os mandos e desmandos do presidente.

Não há profissional mais importante nos centenários clubes de futebol do que o presidente. São eles os guardiões da longevidade dos times. Daí a necessidade de se fazer escolhas certas, como deveria ocorrer também na política. Votar em paraquedistas e candidatos sem ideias, apenas contrários a “tudo isso” que se faz no futebol, pode ser um tiro no pé, um encaminhamento para o fracasso dentro do campo e o acúmulo de dívidas fora dele.

Há muitos presidentes contra a parede atualmente, que não poderiam sequer ser síndico de prédio. Poderia citar pelo menos dez deles, mas tenho certeza de que vocês sabem quem são.

São pessoas que frequentaram os clubes antes de serem alçadas à condição de candidatos ao cargo maior na estrutura de um time de futebol. Em muitos casos, não são preparados para a função. Vão para as urnas carregados por apoiadores cheios de interesses. São “torcedores” apaixonados que ainda pensam com o coração. Impulsivos, empunham a caneta motivados por sentimentos momentâneos, para o bem e para o mal, e tomam caminhos equivocados, para não dizer trágicos.

As metas são sempre as mesmas: formar elencos fortes e ganhar títulos, deixar o caixa em dia, reduzir a dívida anual e buscar novos patrocinadores. São também verdadeiros ‘Pinóquios’ do futebol nacional. Quando não saem escorraçados da cadeira, deixam a presidência com a gestão em frangalhos, com dívidas para todos os lados, falta de pagamento, elencos ruins e sem conquistas. Ou seja, com nada daquilo tudo que prometeram. Passam o mandato, um ou dois, sem projeto, contratando e demitindo treinadores, acumulando problemas financeiros para a instituição e sempre colocando nos ‘outros’ a culpa por fracassos que lhes pertencem. O amigo leitor conhece algum presidente de clube com essas características? Nem precisa responder.

Daí a necessidade no futebol, como na política, de se escolher bem. Atualmente, os grandes clubes do Brasil movimentam de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão por temporada. É dinheiro de empresa forte, que emprega centenas de colaboradores. Por isso também um clube de futebol não pode ser entregue para qualquer um. A dádiva da eleição, do poder de escolha, deve ser mais bem empregada. Levada a sério. Não me refiro nem à condição de honestidade, conhecimento e senso de justiça que um presidente deve ter. Prefiro nem entrar nesse mérito porque ele não é discutível ou negociado, em hipótese alguma. O famoso bordão do ‘rouba, mas faz’, conhecido na política paulista e também brasileira, não pode contaminar o futebol. Se for tarde demais para isso, como muitos de nós achamos, é preciso extirpar essa gente da modalidade.

No Brasil, esse personagem chamado presidente de clube ainda precisa ser moldado. A receita deve ter um pouco de tudo. Conhecimento de futebol e finanças, crédito na praça, transparência para mostrar os números públicos da associação, isenta de impostos por não ter fim lucrativo, honesto e com ideias modernas, responsável, remunerado, livre de conchavos. Mas quem quer ser presidente nessas condições?

Tudo o que sabemos sobre:
futebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.