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'Queria ver meu filho feliz', diz pai de uma das vítimas que aceitou acordo com o Flamengo

José Lopes Viana isentou o clube de culpa pelo incêndio e diz que há pessoas que querem tirar proveito da situação

Ricardo Magatti, Especial para O Estado

06 de fevereiro de 2020 | 08h00

Alvo de reclamações da maioria das famílias dos dez jovens mortos no incêndio no Ninho do Urubu, há um ano, o Flamengo conseguiu costurar um acordo com três famílias, além do pai de um dos meninos. Se grande parte dos familiares está indignada com a postura flamenguista, há, por outro lado, quem isente o clube de culpa no caso e aceitou o que foi proposto como indenização.

É o caso de José Lopes Viana, pai de Rykelmo, que morreu aos 16 anos e faria 18 no próximo dia 26. "Queria ver meu filho feliz. Queria resolver esse problema logo. Então, aceitei fazer o acordo. Fiz o que era bom para mim e não ligo para o que falam po aí", justifica o cabeleireiro, que mora em Limeira, interior de São Paulo.

Até agora, além do pai de Rykelmo, o Flamengo pagou indenizações para os parentes de Athila Paixão, Gedson Santos e Vitor Isaias. Há uma cláusula de confidenciabilidade que protege a divulgação dos valores pagos. Estimava-se, lá atrás, que o valor oferecido pelo Flamengo aos familiares era em torno de R$ 400 mil. 

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Acho que tem gente querendo levar vantagem nessa situação. Tem pessoas que querem enriquecer às custas do Flamengo
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José Lopes Viana, pai de um menino morto no Ninho

José Lopes Viana é divorcidado da mãe do garoto, Rosana Souza, que foi a primeira a entrar na Justiça contra o clube do Rio. Ela pede, além da indenização, a anulação do acordo feito com o ex-marido. Ele, por sua vez, entende que há pessoas que estão interessadas apenas no dinheiro. "Acho que tem gente querendo levar vantagem nessa situação. Tem pessoas que querem enriquecer às custas do Flamengo".

Logo após o incêndio, o Flamengo passou a pagar R$ 5 mil por mês para cada família. Em dezembro, a Justiça do Rio determinou que o clube subisse para R$ 10 mil, e ainda incluísse na folha de pagamento três outros jovens que ficaram feridos na tragédia. O pagamento deverá ser feito até que sejam definidas as indenizações definitivas. A decisão foi concedida liminarmente a pedido da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em processo que está correndo na Vara Cível da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade.

Josete Valda Adão foi a última a dizer "sim" à proposta de indenização do Flamengo. O entendimento entre as partes se deu em outubro do ano passado. Ela é avó do atacante Vitor Isaías, mas tinha a guarda do menino e o tratava como filho, já que o criou desde os oito meses de idade. "Fiz o que tinha que fazer. Comprei minha casa e o meu carro, que eram sonhos dele (Vitor)", argumenta Josete. "Se disser que estou bem é mentira. Vivi um tratamento de saúde, sinto muita falta do meu filho, mas já determinei que não vou dizer que sou infeliz porque sei que ele não queria me ver mal", acrescenta.

Josete entende que o fogo que consumiu o container onde dormiam os dez garotos foi uma fatalidade e que o Flamengo não tem responsabilidade pelo incêndio. "Para mim foi uma fatalidade. Vou continuar minha vida. Quem sabe da nossa hora é Deus", diz. "Não me arrependo de fazer o acordo. Estou consciente de tudo o que fiz. Não tem nada que pague (a vida do meu filho), mas não adianta chegar lá e pedir milhões e milhões de reais".

Um dos motivos para ela ter aceitado a oferta do clube foi o desejo de não ir à Justiça. Ela é traumatizada com a lentidão no processo do inventário do marido, que ainda não foi concluído. "Tudo que eu não queria era ir para a Justiça, ficar esperando anos por uma decisão".

O Flamengo não entrou em acordo com os familiares de Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo, Pablo Herique, e Samuel Rosa. Com a proximidade da conclusão do inquérito policial que apura a responsabilidade pelo incêndio, a tendência é de que mais famílias acionem judicialmente o clube.

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