Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Quero continuar no São Paulo', diz o contestado Jadson

Alvo de especulações, meia rompe o silêncio, admite estar acima do peso e projeta melhora

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2014 | 04h58

SÃO PAULO - Titular indiscutível até o meio do ano passado, Jadson iniciou 2014 pior do que imaginava: acima do peso e com menos moral do que quando entrou em férias. Vendo sua saída ser especulada e com rumores sobre episódios que poderiam tê-lo 'queimado' com Muricy, o camisa 10 - que agora enfrenta uma tendinite - saiu da defensiva e negou o desejo de se transferir. Seu contrato vence no fim do ano e a partir de julho ele está livre para assinar com qualquer equipe.

Perguntado se acredita que o clube esteja forçando sua saída para lucrar alguma coisa, foi enigmático. "Não sei o pensamento da diretoria.". No entanto, não nega ter deixado a desejar na reapresentação e promete correr atrás do prejuízo para voltar a ganhar uma chance e provar a Muricy que ainda pode ser útil.

A íntegra da entrevista ao Estado segue abaixo.

Ficou decepcionado quando chegou e sequer teve uma oportunidade?

Não fiquei decepcionado. Claro que a gente vem com a expectativa de sempre jogar e estar no grupo, mas como as férias foram longas e estava sem atuar desde novembro porque estava machucado acabei voltando acima do peso, mas estou trabalhando forte e o que o Muricy passa para fazer eu faço. Estou treinando há mais de três semanas em dois períodos para ter minha oportunidade. Ele está certo, é uma oportunidade de ficar bem fisicamente e vou trabalhar até aparecer a chance.

Ele conversou com você? Faz falta esse tipo de contato?

Ele conversa com quem vai atuar sobre o que fazer. Ele tem o jeito dele de trabalhar, fala pouco mas cobra bastante e isso é bom para o grupo. Ele conseguiu reverter uma situação muito difícil quando chegou e precisamos respeitar, cada treinador tem sua forma de trabalhar. Temos que dançar conforme o ritmo da música.

O que aconteceu para você ter uma queda de produção tão grande?

É difícil achar algo que possa ter dado errado para eu cair de produção. O jogador está exposto a isso; até na metade do ano estava jogando bem e fui para a seleção. Tivemos uma série muito grande de derrotas e isso acabou pesando um pouco para mim. Sempre na minha vida tive momentos difíceis e soube reverter, agora é mais um deles. Não é fácil, mas estou trabalhando para dar a volta por cima.

Como você se sente sendo especulado como contrapeso em uma proposta?

Isso é normal, mas meu pensamento é ficar. Quando vim para o São Paulo foi um sonho que realizei, sempre tentei dar meu melhor e sempre fui profissional, cheguei no horário e nunca faltei a um treinamento. Fico feliz de participar do grupo, mas esses comentários eu não levo em consideração. Tenho contrato por mais um ano e tenho que manter meu foco aqui.

Você quer sair?

Penso em ficar. Tenho carinho enorme por todos e sempre respeitei todos os profissionais. Nunca tive problema com nenhum, nem com o Muricy.

Uma matéria do portal Globoesporte.com disse que você ficou queimado com Muricy por causa de uma lesão teoricamente inexistente e de uma cirurgia na boca que não foi comunicada. O que aconteceu?

Antes do jogo contra a Universidad Católica, tive um desconforto muscular e falei com o doutor (José Sanches). Ele disse que não tinha como fazer exame porque era o dia da viagem e pediu para falarmos com o Muricy. Expliquei a situação e disse que achava melhor fazer o tratamento no CT, mas o Muricy me disse que eu teria o mesmo tratamento no Chile e que era melhor viajar. Quando ele disse isso nem pensei e viajei, sem problema nenhum. Com relação à cirurgia, eu vinha com problema no dente do siso, mas como a situação do time não estava boa estava segurando para não fazer. Quando a situação do São Paulo melhorou minha dentista disse que era melhor tirar e eu tirei, achei que não teria problema nenhum porque a saúde vem em primeiro lugar. Avisei o doutor no dia seguinte, não achei que fosse dar esse falatório. Pedi desculpas.

Acha que tem espaço para você no time?

Os jogadores que o Muricy coloca estão melhores fisicamente. Não fico feliz de estar fora, mas nenhum jogador gosta de ficar sem jogar. Eles têm a confiança dele, vou tentar chegar nos números que ele quer fora de campo para agarrar minha oportunidade.

E o que fazer para ela chegar?

Treinar forte, fazer o que ele pede nos jogos, dar mais dentro de campo. Isso já tenho na minha cabeça e nesse ano vou dar meu melhor para ajudar o São Paulo e fazer boas atuações como no começo do ano passado.

Acredita que o clube ou o treinador estão tentando forçar sua transferência?

Só penso em atuar, isso quem resolve são meus empresários. Tento focar dentro de campo, mas não sei o pensamento da diretoria. Eles sabem o que pensam para mim, só tenho que chegar e fazer meu melhor.

Isso te afeta de alguma maneira?

Claro que ouvimos algumas coisas, mas temos que deixar de lado. Esse ano voltei focado, preciso esquecer tudo.

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