Luciano Nagel/Estadão
Luciano Nagel/Estadão

'Quero que ele fique na seleção', afirma mãe de Tite

Dona Ivone revela que chorou bastante com eliminação do Brasil na Rússia, mas quer o filho na Copa do Catar

Luciano Nagel, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2018 | 05h00

“Todos os jogos da Copa eu assisti em casa, e após a última partida eu chorei bastante”, lembrou a mãe do técnico Tite, dona Ivone Mazzochi Bachi, de 82 anos, durante entrevista ao Estado, em sua residência em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

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Em frente ao fogão de sua cozinha, já preparando o almoço, dona Ivone lembrou de ter chorado muito depois da derrota para a Bélgica por 2 a 1, pelas quartas de final da Copa do Mundo. “Chorei muito e a ferida ainda está aí, não foi cicatrizada. Cheguei a passar mal. Dois dias depois do jogo, o Ade (maneira como ela se refere a Adenor, o técnico Tite) me ligou e disse: ‘mãe, não vai pensar que vai passar tão fácil. Dói, dói, mas a vida continua’”. 

Apesar do trauma, dona Ivone quer que o filho fique no comando da seleção para a próxima Copa em 2022, no Catar. “Nunca impedi o Ade de tomar suas decisões, sempre o deixei à vontade, mas gostaria que ele ficasse à frente da seleção. Não sei se estou errada ou certa em dizer isso, mas quero que ele fique”, desabafou.

Já o irmão do técnico, Ademir Bachi, o Miro, de 52 anos, afirmou que logo após a derrota do Brasil pela Bélgica, desejou que Tite deixasse a seleção. Segundo ele, os motivos seriam os festejos da população caxiense pela derrota do Brasil. 

“Eu fiquei muito decepcionado com o povo daqui. Não dava para acreditar, estouraram muitos foguetes celebrando. Eu disse para o Tite, num primeiro momento, para ir embora. Depois, minha mãe o aconselhou a ficar. Meu irmão consulta todos os amigos e familiares sobre o tema, e acredito que ele deva seguir em frente no comando da seleção”, disse Miro, que toma conta dos negócios da família e é parceiro e conselheiro do irmão nos assuntos relacionados ao futebol.

O professor de educação física Altemir Roberto Gauer, de 57 anos, é amigo de Tite e foi colega de infância na Escola Estadual Henrique Emílio Meyer, em Caxias do Sul. Ele também espera que Adenor siga em frente com o time brasileiro rumo à Copa do Mundo de 2022. 

“Acredito que ele deva ficar na seleção brasileira. Para que o trabalho renda e tenha um bom desempenho, é necessário continuidade e um certo tempo. E nada melhor para o futebol que o tempo para arrumar o time e fazer as mudanças necessárias”, falou o amigo. 

A mesma opinião é compartilhada por outro amigo de infância de Tite, Álvaro Mentta, 53 anos, também de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

“Acho que ele deve permanecer como técnico. Assim que a seleção brasileira perdeu pra Bélgica, pensei durante alguns dias que o Tite deveria largar o comando da seleção, mas é necessário solidificar o trabalho. É o que temos de melhor no Brasil no momento, sem desmerecer outros treinadores, claro”, disse Álvaro, que conhece Tite há mais de 40 anos.

A decisão de Tite sobre sua permanência na seleção brasileira pode acontecer nesta segunda-feira. O presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, que assume em abril de 2019, já fez uma proposta para que o treinador continue no cargo e aguarda apenas uma resposta. A tendência é que o técnico diga ‘sim’ para mais um ciclo de trabalho até o Catar.

 

 

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