Amr Alfiky/Reuters
Amr Alfiky/Reuters

Quinto dia de deliberações dos jurados de 'Caso Fifa' acaba ainda sem definições

José Maria Marin esteve na corte federal dos EUA e segue sendo investigado por sete acusações de corrupção

Estadão Conteúdo

21 de dezembro de 2017 | 22h18

O quinto dia de deliberações dos jurados que julgam o "Caso Fifa", no qual José Maria Marin, ex-presidente da CBF, recebeu sete acusações de conspiração e atos de corrupção, terminou nesta quinta-feira ainda sem veredictos para os ex-dirigentes que estão sendo julgados em um tribunal federal em Nova York, nos Estados Unidos.

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Além de Marin, que segue em regime de prisão domiciliar nos EUA após ter sido extraditado, estão sendo julgados nesta semana na corte norte-americana Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol e ex-vice da Fifa, e Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol.

As deliberações deste "Caso Fifa" começaram na última sexta-feira, quando Marco Polo Del Nero, também acusado de corrupção, foi suspenso por 90 dias pelo Comitê de Ética da entidade máxima do futebol mundial. Por causa da punição, o dirigente precisou deixar a presidência da CBF.

Marin responde a sete acusações de conspiração em esquema internacional de corrupção feitas pelos promotores do governo dos Estados Unidos, sendo três delas relativas a lavagem de dinheiro. O seu futuro está sendo decidido por 12 jurados neste julgamento.

Del Nero, por sua vez, foi indiciado nos Estados Unidos por corrupção ainda em 2015, quando estourou o escândalo da Fifa que provocou uma série de prisões de dirigentes de peso do futebol mundial, entre eles a do próprio Marin, em maio daquele ano. Estas prisões ocorreram em Zurique, que Del Nero deixou um dia após as detenções dos dirigentes, quando desistiu de votar na eleição presidencial da Fifa.

O brasileiro insistiu em se manter na presidência da CBF. Para evitar a sua prisão, optou por não sair do Brasil desde que o escândalo da Fifa estourou. Na Fifa, o processo contra Del Nero foi aberto ainda em 2015. Mas, por meses, a entidade afirmou que não teria como puni-lo por falta de provas. Nem mesmo os documentos enviados pela CPI do Futebol, no Senado, foram suficientes.

Entretanto, com a avalanche de novas documentações dos procuradores norte-americanos durante o julgamento de José Maria Marin, nos EUA, Del Nero foi amplamente citado como tendo sido beneficiado por propinas no valor de US$ 6,5 milhões. Mesmo a defesa de Marin usou o argumento de que era Del Nero quem de fato mandava na CBF, enquanto era vice-presidente.

Ex-presidente da CBF, Marin, assim como fizeram Napout e Burga, negou que tenha aceitado propinas de empresas de marketing que teriam corrompido os dirigentes para vencer concorrências pelos direitos comerciais de grandes de competições do futebol mundial.

Julgados nos EUA, eles estão entre as mais de 40 pessoas, entre dirigentes e empresários ligados ao futebol, envolvidos no grande escândalo de corrupção da Fifa. As deliberações do julgamento em Nova York prosseguirão nesta sexta-feira.

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