Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Reprovação de contas e articulações políticas acirram ânimos no Palmeiras

Atual mandatário, Mauricio Galiotte vê oposição crescer e terá um dos antigos apoiadores como adversário na eleição

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2018 | 05h00

Após passar por uma última eleição presidencial de candidato único e de clima de paz em 2016, o Palmeiras se prepara para um pleito bem mais tenso em novembro. O atual mandatário, Mauricio Galiotte, enfrenta a perda de apoio de três dos quatro vice-presidentes, reprovações seguidas de contas e questionamentos sobre a relação com a patrocinadora do clube, a Crefisa.

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O mais recente episódio do racha no Palmeiras ocorreu na noite de segunda-feira. O Conselho de Orientação Fiscal (COF) reprovou pelo terceiro mês seguido as contas do presidente. Por 12 votos a quatro, os membros do órgão recusaram os balanços principalmente por discordar da maneira como Galiotte refez o contrato com a Crefisa. Dois aditivos alteraram a forma como o clube conta com o apoio da empresa para adquirir reforços. Como revelado pelo Estado em janeiro, a Crefisa foi multada pela Receita Federal pela maneira como bancava as vindas de atletas. Os contratos tiveram de ser mudados.

Em vez de compra de propriedades de marketing, as contratações passaram então a ser por empréstimos. A mudança fez o Palmeiras ter de devolver cerca de R$ 120 milhões à empresa. A novidade causou questionamentos no COF e membros do órgão chegaram a solicitar um plano de venda dos jogadores trazidos pela Crefisa para amenizar o prejuízo.

Galiotte chegou a ser alvo de dúvidas dos cofistas em uma reunião por admitir ter assinado os aditivos com data retroativa, pois estava de férias, licenciado, e preencheu os documentos dias depois. O departamento jurídico do clube afirmou ao Estado que não há ilegalidade no ato, pois mesmo licenciado o presidente continua com poderes de representação.

O cenário de cobrança sobre Galiotte levou o presidente a convocar uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para explicar as mudanças. O encontro deve ser no próximo dia 20. 

O principal adversário na eleição deve ser um dos seus quatro vices atuais. Genaro Marino tem o apoio de outros dois colegas (José Carlos Tomaselli e Victor Fruges), assim como dos ex-presidentes Mustafá Contursi e Paulo Nobre. O rompimento de Galiotte com os vices começou no ano passado, quando o atual presidente e seu antecessor (Nobre) se afastaram após divergências sobre a legitimidade da candidatura ao Conselho Deliberativo da empresária dona da Crefisa, Leila Pereira.

Galiotte considera as ações no COF como manobras políticas, principalmente pelo órgão ter majoritariamente seguidores do ex-presidente Mustafá Contursi. Segundo aliados de Galiotte, mesmo reprovadas as contas de março tinham superávit de R$ 1 milhão. Ao fim do ano a previsão de faturamento é de R$ 465 milhões. Até agora o balanço de clube é de faturamento de R$ 375 milhões, com lucro de R$ 40 milhões acumulados até junho.

Para pessoas próximas ao presidente, as reprovações no COF não representam uma ameaça, pois como todos os orçamentos precisam ser levados posteriomente para votação o Conselho Deliberativo, existe uma boa possibilidade de aprovação. Correligionários de Galiotte consideram que o atual mandatário possui bastante apoio no órgão. /COLABOROU RAPHAEL RAMOS

 

 

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