Fernando Bizerra/EFE
Fernando Bizerra/EFE
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Racismo: futebol perde de goleada nesta semana, com três casos emblemáticos na Libertadores

Entidades esportivas, como a Conmebol, precisam ser mais enérgicas em seus regulamentos e punir clubes com perda de mando e pontos, até exclusão; torcedores também têm de ser identificados e presos porque racismo é crime

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2022 | 09h29

O futebol sul-americano, organizado pela Conmebol e por suas afiliadas em cada país, como a AFA, na Argentina, e a CBF, no Brasil, foi humilhado nesta semana com três casos de racismo nos estádios em partidas da Libertadores da América, uma espécie de Liga dos Campeões do continente, onde estão os melhores clubes da região.

O racismo ganhou de goleada do bom senso, do respeito ao próximo e do amadurecimento das pessoas. O "show" sem graça das imitações de macacos para se referir ao rival no esporte joga a torcida na lata do lixo — claro e felizmente, apenas uma pequena e insignificante parte dela, gente que a gente não quer do lado, não faz nenhuma questão de abraçar num gol ou estender a mão para cumprimentos. São pessoas que ficaram para trás na evolução do homem, dignos de pena, o pior sentimento que se pode ter de alguém. São coitados.

Episódios de racismo foram flagrados nos jogos do Corinthians contra o Boca Juniors, em São Paulo, mas também nas partidas do Emelec diante do Palmeiras e ainda no duelo da Universidad Católica com o Flamengo, no Chile. Em todos eles, a discriminação racial foi filmada e postada nas redes sociais, denunciadas por pessoas que querem ver o mundo mudar e que esse tipo de comportamento não aconteça mais. É ofensivo para quem recebe as manifestações e digno de dó para quem as fazem.

Uma vez que o agressor preso é rapidamente liberado após pagar fiança, como ocorreu com o cidadão do Boca no estádio do Corinthians, no caso com o valor de R$ 3 mil, e muitos outros nem sequer são detidos, não é de hoje que defendo a punição aos clubes como forma de frear esse tipo de comportamento e qualquer outro que falte ao respeito com os adversários. As entidades esportivas precisam se posicionar e tomar medidas mais duras com os clubes, em novas determinações e regras claras nos regulamentos dos torneios. Simples assim. Qualquer caso de racismo implicaria em punição ao time, com perda de mando e perda de pontos e até exclusão. Sei que isso não é justo com os clubes, mas o futebol não consegue resolver esse problema somente identificando o CPF dos racistas. Também não se pode se conformar. 

Tem torcedor que não sabe o que é ser racista. Ser racista é ser preconceituoso. É imaginar que sua origem étnica-racial é melhor do que outras. É achar que há uma raça melhor do que a outra. É ser ignorante, portanto. Injúria racial é crime. Há na sociedade, em todas elas, um repúdio às pessoas que têm esse tipo de comportamento. Geralmente elas ficam isoladas. No futebol, há muitos torcedores que se dispõem a filmar essas agressões e mostrar ao mundo pelas redes sociais. Alguns estádios mais modernos estão se dotando de estruturas para também conseguir identificar o torcedor em todos os setores do campo, a fim de melhor identificar e agir imediatamente contra ele. 

O "show" que esses cretinos fazem no futebol tem de acabar. Há muitos outros caminhos para que as pessoas não se percam nessas manifestações, como a educação na base, nas escolas. É a que mais defendo. Mas isso leva tempo e precisa começar efetivamente. Enquanto isso não acontece, os clubes terão de assumir essa bronca e ensinar seus torcedores a se comportar como anfitriões e visitantes nos estádios, com possibilidade de prisão, claro, mas também de punição às instituições esportivas. A semana mostrou que também nesse quesito, o futebol está no fundo do poço.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.