Fernando Bizerra/EFE
Fernando Bizerra/EFE

Conmebol promete mudanças para endurecer punições após sete casos de racismo em 2022

Levantamento do 'Estadão' apontou que atual edição da Copa Libertadores já registrou sete casos de injúria racial

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2022 | 15h52

A Conmebol, entidade que organiza o futebol sul-americano, emitiu nota nesta sexta-feira condenando os casos de racismo registrados na atual edição da Copa Libertadores - foram sete até aqui - e prometeu que vai realizar mudanças em seus regulamentos para endurecer as punições aos infratores.

"A Conmebol considera absolutamente inaceitável qualquer manifestação de racismo e outras formas de violência em seus torneios. Assume e assumirá sempre sua cota de responsabilidade no combate a toda classe de discriminação. A luta contra este flagelo ocupa um lugar central nas preocupações e no trabalho da Conmebol, no que se evidencia nas múltiplas campanhas de conscientização e ações de alcance massivo, assim como na aplicação de punições a quem praticar esses atos", disse a entidade em nota, também se comprometendo a desenhar e implementar novos programas e ações de combate ao racismo.

A Conmebol fez a promessa de os regulamentos dos torneios que organiza terá alterações a fim de "aumentar e endurecer" as sanções em casos de racismo. Também afirmou que "compromete-se a elaborar e implementar novos programas e ações que visem banir definitivamente este problema do futebol sul-americano".

Levantamento do Estadão publicado nesta sexta-feira apontou que a atual edição da Copa Libertadores já registrou sete casos de injúria racial contra torcedores brasileiros: Palmeiras x Emelec, Corinthians x Boca Juniors, Estudiantes x Red Bull Bragantino, River Plate x Fortaleza, Olímpia x Fluminense, Millionarios x Fluminense e Universidad Católica x Flamengo.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, se manifestou nesta sexta-feira informando que a entidade brasileira vai realizar em junho, em data ainda a ser confirmada, um evento para debater medidas de combate à discriminação racial no futebol, com a participação de representantes da Fifa, Conmebol, federações, clubes, justiça desportiva, Ministério Público e autoridades de segurança. "Traz muita preocupação, indignação e tristeza para a CBF. Temos tratado esse assunto com o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, que também está muito indignado", disse, salientando a importância de endurecer as punições. 

Nos últimos seis anos, foram 27 episódios de racismo nas competições de clubes de nível profissional e masculino, organizadas pela Conmebol. A maioria dos casos aconteceu em partidas da Libertadores, fora do Brasil e não teve punição da entidade aos clubes. Até quinta-feira, somente o Olimpia, do Paraguai, foi punido neste mês pela Conmebol pelo artigo 17 (atos discriminatórios), mas a entidade não especificou qual atitude preconceituosa foi registrada na partida do clube.

Nesta sexta, o River Plate recebeu a multa mínima de US$ 30 mil (R$ 150 mil) depois que um torcedor mostrou uma banana para torcedores do Fortaleza na partida disputada em Buenos Aires. O torcedor, que não teve sua identidade revelada, perdeu o título de sócio do clube e está suspenso de comparecer em jogos do time pelos próximos seis meses

O artigo 17 do Código Disciplinar da Conmebol aborda casos de discriminação praticados por jogadores e outros funcionários de clubes, prevendo a suspensão por cinco partidas ou período mínimo de dois meses. É no item 2 que o texto trata dos atos discriminatórios praticados por torcedores. A multa mínima de US$ 30 mil (R$ 150 mil).

Todos os outros casos de injúria racial que ocorreram em partidas da terceira rodada da fase de grupos da Libertadores, esta semana, têm expedientes disciplinares abertos pela unidade disciplinar da Conmebol.

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