Sergei Chirikov/EFE
Sergei Chirikov/EFE

Racismo não é problema só no futebol russo, diz ministro

'Eu não sei o que há a temer aqui. Posso dizer que é um problema em escala global', afirma Vitaly Mutko, apesar de novos incidentes 

Estadão Conteúdo

22 de outubro de 2014 | 10h25

O ministro dos Esportes russo, Vitaly Mutko, defendeu nesta quarta-feira, no momento em que o país se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2018, que a Rússia não tem um problema particular com o racismo no futebol, apesar de uma série de incidentes recentes.

O CSKA Moscou foi obrigado a jogar todos os jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa em casa com os portões fechados como punição por repetidos incidentes racistas envolvendo seus torcedores, e tem havido mais casos na liga russa.

"Não vejo que devemos ser especialmente destacados nisso. Muitos jogadores negros, da África, da Ásia, jogam na Rússia e realmente não vejo nenhum problema", disse Mutko. "Eu não sei o que há a temer aqui. Posso dizer que é um problema em escala global", completou ao ser questionado por que alguns jogadores negros tinham expressado medo de torcidas russas.

No ano passado, o volante marfinense Yaya Touré, do Manchester City, disse que os jogadores negros podiam boicotar a Copa do Mundo se o racismo nos jogos não fosse reduzido, em declaração dada após sofrer abusos raciais de torcedores do CSKA em partida da Liga dos Campeões.

No entanto, o racismo "não é um problema da Rússia", disse Mutko. "Ele surge em qualquer estádio do mundo, como você bem sabe. Acontece em todos os lugares, porque infelizmente o mundo é assim hoje". A Rússia está envolvida em uma "dura batalha" contra o racismo, acrescentou.

Mutko, que também é membro do Comitê Executivo da Fifa, disse que esses questionamentos também foram feitos antes de a Rússia sediar os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano em Sochi. "A liberdade e os direitos civis de ninguém foram violados. Eu garanto a você o mesmo na Copa do Mundo".

Nesta temporada, a Federação Russa de Futebol puniu clubes após torcedores abusarem racialmente do zagueiro congolês Christopher Samba, do Dínamo Moscou, e o atacante brasileiro Hulk, do Zenit. Mas Samba foi suspenso por dois jogos após fazer um "gesto desagradável" para os torcedores que o tinham insultado.

Falando durante a visita de inspeção de uma delegação da Fifa aos estádios da Copa do Mundo de 2018, Mutko também explicou que dois dos estádios a serem construídos tiveram sua previsão de capacidade reduzida para 35 mil espectadores por razões financeiras e de legado.

Ele explicou que o estádio de Kaliningrado, que seria para 45 mil pessoas, será uma arena com capacidade para 25 mil torcedores, com mais 10 mil assentos temporários para a Copa. Já o estádio de Ecaterimburgo terá capacidade para 35 mil pessoas. "Estas duas cidades não têm esse tipo de demanda ou legado para o futuro de grandes estádios", disse.

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