Radamés Lattari também está fora do Fla

O técnico Oswaldo de Oliveira atribuiu sua saída do Flamengo à crise interna no clube, envolvido em disputa para a escolha do novo presidente, o que estaria afetando o desempenho dos jogadores. Sua decisão, anunciada no domingo, evidencia um quadro que se repete nos últimos anos na Gávea: o time de maior torcida do Brasil vive atormentado por problemas políticos e a seqüência de más administrações. O caos na gestão do clube fez nesta segunda-feira uma nova vítima: o diretor executivo de futebol, Radamés Lattari, foi demitido.Com o impeachment de Edmundo dos Santos Silva, no ano passado, Hélio Ferraz venceu as eleições assumindo o compromisso de ser um dirigente inovador, de vanguarda. Mas o que ficou provado foi exatamente o contrário. Helinho, como é conhecido, apoiou a reeleição de Ricardo Teixeira, na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e de Eduardo Viana, na Federação de Futebol do Rio (Ferj).Pelas mãos de Hélio Ferraz, três técnicos já trabalharam no Flamengo: Evaristo de Macedo, que já dirigia o clube quando o dirigente assumiu a presidência, Nelsinho Baptista e Oswaldo de Oliveira. A constante troca de treinadores prejudicou o desempenho da equipe. Atualmente, ocupa a 12º posição no Campeonato Brasileiro e há várias rodadas não tem mais possibilidade de ser campeão e nem sequer de concorrer a uma vaga na Copa Libertadores de 2004.As dívidas do Flamengo, superiores a R$ 250 milhões, são o carro-chefe da crise. Situações de constrangimento, por falta de pagamento, passaram a fazer parte da rotina do clube. Recentemente, teve o fornecimento de água e luz cortados e os jogadores chegaram a ficar sem tomar banho, após um dia intenso de treinamentos.Os desentendimentos entre conselheiros e dirigentes também são constantes. Mas não foi o que resultou na saída de Radamés Lattari. Ele tinha tentado deixar o cargo antes, mas fôra demovido da idéia. Desta vez, perdeu o emprego por não concordar com a saída de Oswaldo de Oliveira. O treinador, aliás, também deu a entender que poderia voltar atrás na decisão de largar o Flamengo, em resposta à solidariedade dispensada pelos atletas do elenco. Mas não obteve respaldo da diretoria.Radamés, antes de ser diretor, era vice-presidente de futebol. Sua função foi alterada e passou a ser remunerado. Seu poder foi diminuído com a nomeação do novo vice-presidente de futebol, Eduardo Moraes, cunhado de Hélio Ferraz - uma possível intervenção de Eduardo Moraes na escalação do Flamengo teria sido um dos motivos que levou Oswaldo a pedir demissão.Em dezembro será realizada nova eleição à presidência do clube. São quatro os candidatos: Márcio Braga, Delair Dumbrosck, Roberto Abranches e Germando Biscotto.Para o maior ídolo da história do Flamengo e atual técnico da seleção japonesa, Zico, o clube precisa se reerguer rapidamente. "Está se acostumando com as derrotas e torcendo para perder de pouco. Isso não é digno da história do Flamengo", avisou. Devido à disputa política interna, ele descarta qualquer hipótese de vir a se candidatar à presidência ou mesmo de apoiar algum dos candidatos. "É com muita tristeza que vejo o Flamengo alvo de goleadas e a quase 30 pontos do líder do Campeonato Brasileiro. Onde vamos parar?"

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.