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Rafael está pronto para recomeçar na seleção

Titular do Napoli quer mostrar a mesma força que o ajudou a superar problemas e contusões

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2014 | 17h00

A vida de Rafael é um eterno recomeço. Aos 13 anos, teve de se reerguer depois do carrinho violento que levou do destino com a morte de sua mãe. Outra contusão grave, essa no sentido literal, foi uma fratura na perna direita, quando era o terceiro goleiro do Santos. Tinha 19 anos. Em 2012, ficou fora da Olimpíada de Londres por causa de um trauma no cotovelo. No início deste ano, o rompimento do ligamento do joelho direito tirou sua chance de disputar a Copa. Hoje, dá novo start à sua história na seleção.

Embora tenha um jeitão de novidade na lista de convocados, Rafael já atuou três vezes pela seleção brasileira, sempre com Mano Menezes. Soma duas vitórias (Argentina e Estados Unidos) e uma derrota (México). Depois de ter passado em branco na era Felipão, por opção da comissão técnica e também pelas lesões, é o novato que larga na frente para vestir a camisa 1 nesse novo ciclo. Disputa com Jefferson o peso de substituir Julio Cesar, goleiro em três Copas.

 

Rafael é titular do Napoli, da Itália, depois de uma passagem vitoriosa pelo Santos. Chegou lá no ano passado em uma negociação de R$ 16 milhões, um recorde para a posição. Depois de esquentar o banco por quase meio ano, ganhou espaço e se tornou absoluto com a negociação de Pep Reina com o Bayern.

As lesões, mais exatamente a maneira como Rafael se recuperou de cada uma, ajudam a entender as razões desse retorno. Rafael sempre conseguiu voltar antes do esperado.

O prazo para se recuperar daquela primeira lesão era de dez meses. Voltou em três. Neste ano, antecipou o retorno de seis para quatro meses. Durante os frequentes períodos de recuperação, transformou em amizade o relacionamento profissional com o fisioterapeuta do Santos, Thiago Lobo. “O Rafael mostrava força e determinação para se recuperar o quanto antes, isso é fundamental para um atleta”, afirma o fisioterapeuta.

Os dois conversavam praticamente de igual para igual. Rafael é formado em Educação Física pela Unisanta, de Santos. “Ele tem um perfil diferenciado, queria entender o que estava acontecendo durante a recuperação”, diz Lobo.

O goleiro concluiu o curso aproveitando o período em que era terceiro goleiro e não precisava acompanhar o clube em todas as viagens. Mesmo assim, amigos do Santos contam que ele volta e meia estava com um livro nas mãos. Também ajudou a compor esse perfil intelectualizado a influência da mãe, Mara Cabral, que era diretora da escola e foi lembrada em sua entrevista depois da conquista da Libertadores, em 2011.

O preparador de goleiros do Santos, Sebastião Martins Oliveira Júnior, o Arzul, afirma que Rafael também é bom tecnicamente. “Ele é arrojado e domina os fundamentos”, diz o especialista.

Rafael não é perfeito, como pode sugerir os relatos de amigos e chefes. A derrota do Napoli para o Athletic Bilbao, por 3 a 1, na fase de classificação para a Copa dos Campeões evidenciou um dos pontos em que pode melhorar: a saída de gol.

O site Calcio Mecarto caiu matando em cima de Rafael. “Ok, em grande parte a culpa é de Albiol, mas esse tipo de saída você não pode fazer em um momento assim. Agora há muitos detratores, e eles podem dizer ‘Ah, se houvesse Reina’. Falta experiência a ele, mas as habilidades estão lá”, escreveu a publicação.

Curiosamente, Rafael tem se destacado por atuar adiantado, quase como líbero, ajudando na saída de bola e na cobertura. Esse é um dos seus diferenciais desde as categorias de base e, mais cedo ainda, quando jogava futsal em Sorocaba.

Ele tem sido tão importante nesse aspecto que reforçou um argumento do técnico Rafa Benítez: incluir o goleiro na descrição do esquema tático. Assim, teríamos, por exemplo, o 1-4-4-2 ou o 1-4-4-3. Na prancheta de avaliação de Taffarel, esse é mais um ponto para Rafael.

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