AP
AP

Rafael quer o título do Mundial e uma vaga na Olimpíada de Londres

Goleiro terá oportunidade de mostrar que tem qualidade e nervos para ser titular da seleção

Luís Augusto Monaco, Jornal da Tarde

11 de dezembro de 2011 | 14h53

NAGOYA - Para Neymar, o Mundial é uma vitrine para mostrar aos europeus mais céticos que sua fama é merecida. Para Elano, como ele mesmo definiu, é a competição da vida. Para Ganso, a chance de recuperar o prestígio internacional que tinha antes de começar a se machucar com frequência. E para Rafael, uma oportunidade de ouro para deixar claro que tem qualidade e nervos para realizar o sonho de ser titular da seleção nos Jogos Olímpicos de Londres.

A calma do goleiro impressiona. Ele não demonstra o deslumbramento que seria natural para um rapaz de 21 anos que será titular de um dos favoritos ao título. A imagem que passa é a de alguém concentradíssimo em fazer história novamente - foi o goleiro mais jovem a ser campeão da Libertadores como titular.

Com personalidade, Rafael aproveita os encontros com os jornalistas para desfazer o que segundo ele foi uma polêmica criada do nada. "Não é verdade que critiquei a bola do torneio. Tinha treinado com ela nos jogos da Seleção contra a Argentina e respondi que a achei um pouco leve, com uma trajetória instável, mas que até o Mundial teria tempo de me acostumar. E é isso o que está acontecendo, não tem drama nenhum."

Ele também não quer fazer do frio um assunto muito importante. As baixas temperaturas, principalmente depois que o sol se põe (às 17h), são tema recorrente nas entrevistas. O goleiro, porém, não faz drama, tanto que já avisou que não vai jogar de calça comprida nem com a calça térmica que a maioria dos jogadores vestirá por baixo do calção. "Treino de calça, mas no jogo vou de calção mesmo. Eu prefiro, me sinto mais à vontade."

O Mundial pode fazer de Rafael um nome forte no mercado de transferências de janeiro na Europa. O Santos já recusou duas ofertas do Palermo, e o interesse do clube italiano por ele ficou congelado por causa da demissão do diretor-esportivo Sean Sogliano. Um bom desempenho no torneio pode reativar os contatos. E na Itália há rumores de que a Roma o está observando. O fato de ter passaporte europeu é um grande chamariz.

Se sair em janeiro ele quer ir para um clube em que chegue e já assuma a posição, porque ficar seis meses no banco pode deixá-lo fora da Olimpíada. Para desembarcar num time em que seja preciso batalhar pela posição sem saber quando será titular, o ideal é ficar pelo menos até o meio do ano no Santos.

Sua saída ou não pode ser decidida nos pênaltis. Ele já mostrou que é um grande pegador, mas ainda não precisou decidir nada em tiros da marca da cal. Rafael repete o chavão de que o melhor é o time vencer sem que ele precise ter trabalho, mas se algum dos jogos for para os pênaltis ele terá a chance de mostrar sua habilidade - e seu ritual de ficar se movimentando lateralmente com os braços erguidos para tentar desconcentrar o batedor. "Tomara que a minha primeira decisão por pênaltis não seja aqui. Mas se for vou estar preparado para ajudar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.