Reprodução/ Premiere
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STJD pede que procuradoria apresente denúncia por suposto racismo de Rafael Ramos a Edenilson

Laudo de perícia feita durante o inquérito contesta resultado de empresa contratada pelo Corinthians; caso aconteceu durante o empate por 2 a 2 no jogo com o Inter disputado em maio, pelo primeiro turno do Brasileirão

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2022 | 11h38
Atualizado 05 de agosto de 2022 | 17h02

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) concluiu inquérito sobre o suposto caso de racismo praticado pelo lateral-direito do Corinthians Rafael Ramos contra o meio-campista Edenilson, do Internacional, e solicitou que a procuradoria do órgão apresente denúncia para que o corintiano seja julgado pelo tribunal. Segundo documento assinado pelo auditor Paulo Sérgio Feuz e datado dessa quinta-feira, dia 4, o inquérito apurou "conjunto de elementos probatórios capazes de caracterizar a prática de infração desportiva capitulada no artigo 243-G" do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Portanto, o STJD entende que houve a ofensa.

O artigo citado trata de "praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência". Caso seja considerado culpado, a punição pode ser suspensão de cinco a dez partidas e multa de R$ 100 a R$ 100 mil

O episódio aconteceu durante o empate por 2 a 2 no jogo disputado em maio, pelo primeiro turno do Brasileirão, entre Inter e Corinthians. A partida foi paralisada aos 30 minutos do segundo tempo após Edenilson reclamar que teria sido chamado de "macaco" por Rafael Ramos. O jogador português negou a acusação de racismo, mas chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Civil gaúcha. O jogo foi em Porto Alegre. Ele só foi liberado após o Corinthians pagar uma fiança de R$ 10 mil. O time jogaria na Argentina na sequência.

Laudo de perícia feita por uma empresa contratada pelo clube paulista negou a fala racista de Rafael Ramos. Segundo o relatório da empresa The Perfect Link, o lateral teria dito a frase "F....., mano, caral...". Mas outra perícia, feita durante o inquérito realizado pelo STJD, contesta esse resultado.

"Lamento dissentir do trabalho elaborado pela The Perfect Link, mas, na sua transcrição, há supressão de fala, que efetivamente existiu, e inclusão de locuções que não existiram, no discurso do atleta Rafael Antônio Figueiredo Ramos", diz trecho do relatório do STJD a que o Estadão teve acesso. "As locuções "mano, caral...", atribuídas ao atleta Rafael Ramos, efetivamente não existiram, pois as configurações fonético-articulatórias observadas no gestual orofacial do falante não correspondem aos fonemas que compõem essas locuções", prossegue o texto. 

Em outro trecho, o laudo realizado durante inquérito instaurado pelo STJD questiona outra transcrição apresentada pela defesa do jogador, dessa vez a cargo do Centro de Perícias Curitiba, apontando falta de argumentação técnica no embasamento e supressão de falas dos dois atletas, além de inclusão de outras.

Segundo normas do tribunal, a Procuradoria do STJD tem 60 dias para apresentar denúncia. Corinthians e Internacional ainda não se manifestaram sobre o caso nesta sexta.

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