Guadalupe Pardo/Reuters
Veteranos Filipe Luís e Rafinha comemoram o título da Libertadores pelo Flamengo  Guadalupe Pardo/Reuters

Rafinha e Filipe Luís chegam da Europa para serem 'auxiliares técnicos' de Jesus em campo

Ambos jogadores têm de 34 anos e mostraram que não voltaram ao Brasil para curtir uma espécie de pré-aposentadoria

Matheus Silva Alves, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 04h30

Que Jorge Jesus transformou um time inseguro e irregular em uma máquina de vencer, isso todo mundo sabe. Mas o português não fez a revolução sozinho. Dois jogadores experientes incorporados ao elenco do Flamengo no meio do ano se mostraram fundamentais para colocar a locomotiva nos trilhos: Rafinha e Filipe Luís, que chegaram ao clube para melhorar o nível do jogo nas laterais e injetar espírito vencedor na equipe. Conseguiram cumprir os dois objetivos com louvor.

Rafinha e Filipe, ambos de 34 anos, voltaram ao Brasil após terem passado muitos anos ganhando títulos na Europa - o primeiro no Bayern de Munique e o segundo no Atlético de Madrid. A longa vivência no futebol ajudou os dois laterais a entender rapidamente do que o Flamengo precisava e se tornar peças importantíssimas da engrenagem montada pelo treinador português.

Não que o sucesso tenha chegado sem alguns tropeções. Em julho, com poucas semanas de clube, Rafinha viveu uma noite terrível em Guayaquil quando foi escalado no meio de campo contra o Emelec, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Deu tudo errado. Jogando fora de sua posição, o paranaense se saiu mal e foi bastante questionado, mas soube suportar a turbulência até se tornar uma figura inquestionável na equipe.

Se o pesadelo de Rafinha teve como cenário uma cidade do Equador, o de Filipe Luís deu-se em Salvador. O catarinense havia acabado de chegar ao Flamengo quando entrou em campo para enfrentar o Bahia na Fonte Nova, e a coisa foi feia. O lateral tornou-se presa fácil para o veloz ataque baiano e o time carioca perdeu por 3 a 0 - única derrota de Jorge Jesus no Brasileirão, aliás.

Filipe, um jogador que nunca foi muito popular no Brasil, viu-se massacrado pelo público e pela crítica. Dizia-se que ele não tinha mais capacidade física para jogar em alto nível, mas bastaram algumas semanas para o lateral recuperar a boa forma e surpreender positivamente quem não conhecia seu futebol - o que é um pouco estranho em se tratando de um jogador que defendeu (e bem) a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2018 e na Copa América deste ano.

"Eu e o Rafinha temos formas diferentes de jogar. Acho que a gente se completa. Eu jogo mais por dentro, ele passa com muito mais velocidade do que eu", analisou o ex-jogador do Atlético de Madrid.

Com fôlego e inteligência de sobra, os "tiozinhos" do elenco do Flamengo serviram como "auxiliares técnicos" de Jorge Jesus em campo e ajudaram o português a mudar a cara do time na segunda metade da temporada. Quando a dupla chegou ao clube, não faltou quem dissesse que os dois laterais haviam voltado ao Brasil apenas para curtir uma espécie de pré-aposentadoria. Pois hoje é bem difícil encontrar alguém disposto a repetir semelhante bobagem.

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