Divulgação/São Paulo
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Raí é contra o retorno do futebol e volta a criticar Bolsonaro: 'É preciso ouvir a ciência'

Dirigente do São Paulo diz que o momento ainda não é o ideal para o retorno aos gramados e pede limite do autoritarismo

Redação, Estadão Conteúdo

03 de junho de 2020 | 09h28

Ídolo do futebol no Brasil e exterior e diretor de futebol do São Paulo, Raí é conhecido por se posicionar sobre os mais variados assuntos. Em meio à pandemia do novo coronavírus, o ex-jogador ressaltou em entrevista à rádio francesa RFI que não é favorável ao retorno do futebol no Brasil neste momento de crescimento dos casos de infecção pela covid-19 e voltou a criticar a postura do presidente da Repúbica Jair Bolsonaro. O ex-jogador já havia até sugerido a renúncia do político.

"Atualmente, estamos enfrentando uma crise política, em que a democracia e os valores humanos estão sendo discutidos. O limite também, do autoritarismo. Em uma democracia, precisamos do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e de um poder executivo. Minha postura é em favor da democracia. Não me envolvo com polêmicas, mas quando vejo tanta injustiça social, que vidas estão ameaçadas pelo vírus, eu falo. O presidente foi eleito democraticamente, mas você precisa ouvir a ciência, os especialistas e não colocar em risco a vida das pessoas", disse o dirigente tricolor.

Em relação ao retorno do futebol brasileiro, o ex-jogador acredita que o momento não é o ideal. "Ainda não. Alguns clubes estão preparando seus protocolos sanitários, mas enquanto o número de vítimas estiver aumentando seria difícil ver a retomada do futebol. Além disso, vários estádios, como o Pacaembu, abrigam hospitais de campanha. Dirigentes, como eu, tentam planejar um retorno, mas não enquanto vidas estão em perigo. Somente quando tudo estiver sob controle", afirmou.

O atual dirigente do São Paulo comentou sobre os desafios da Fundação Gol de Letra, projeto organizado por ele em parceria com o ex-lateral-esquerdo Leonardo - seu companheiro de Paris Saint-Germain, São Paulo e seleção brasileira.

"Adaptamos nossas atividades na Fundação Gol de Letra e estamos distribuindo cestas básicas, ajudando famílias que sofrem com a fome", contou Raí, explicando a razão da mudança de programação. "A fome nunca desapareceu no Brasil. A pandemia e o isolamento social tornaram urgente a ajuda para as famílias pobres que ficaram confinadas e sem recursos".

Ídolo no Paris Saint-Germain, onde jogou nos anos 90, Raí falou ainda sobre Neymar, o atual craque do clube francês. "Ele tem o potencial para ser o número 1 do mundo, tem qualidades técnicas incríveis. Mas é impossível ganhar algo sozinho. Se o time crescer, Neymar será o maior", opinou.

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