Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

Raio-X da Copa América: curiosidades e detalhes das seleções do torneio

Competição começa nesta sexta-feira com o Brasil como sede e com a grande rival, Argentina, em busca de encerrar jejum

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2019 | 04h01

A Copa América começa nesta sexta-feira, com o jogo entre Brasil e Bolívia no estádio do Morumbi, e a busca por um título que mudou poucas vezes de mãos nas últimas edições. Nos últimos 20 anos, por exemplo, somente Brasil, Colômbia, Uruguai e Chile tiveram a chance de erguer uma taça, enquanto a Argentina viu a conquista escapar diversas vezes, ao amargar quatro vice-campeonatos nesse período. Veja mais informações da Copa América.

Os argentinos, aliás, não comemoram um título sequer desde 1993, ano da conquista da Copa América, no Equador. Então uma criança de seis anos naquela época, o atacante Lionel Messi é agora a esperança (mais uma vez) para tirar a equipe da fila. O camisa 10 é o líder da equipe e a principal estrela do torneio. Com o corte de Neymar, o craque do Barcelona se tornou até mesmo o nome mais caro do torneio, pois tem um valor de mercado de cerca de R$ 700 milhões, segundo o site especializado Transfermarkt.

A grande novidade para a Copa América do Brasil, no entanto, não se trata da América do Sul. As convidadas asiáticas Japão e Catar integram o pacote das 12 equipes de olho em ganhar experiência. O país sede da próxima Copa do Mundo é o único elenco a ter todos os jogadores em atividade no próprio país e busca com a competição adquirir uma bagagem maior de confrontos contra nações de fora de Ásia.  

Os japoneses miram um futuro mais próximo, mais precisamente 2020. O país sede da próxima Olimpíada veio ao Brasil com a equipe mais jovem da competição. A média de idade de 22 anos confirma o planejamento nipônico de ter parte desse elenco em atividade no torneio olímpico de Tóquio. Para completar o repertório, a equipe trouxe jogadores experientes, como o atacante Okazaki, do Leicester, da Inglaterra.

Quem não é da América do Sul e participa indiretamente do torneio é o México. O país da América do Norte disputou diversas edições anteriores da Copa América como convidado e tem a liga que mais cedeu jogadores convocados para as seleções da atual competição. Ao todo são 26 nomes cedidos para oito diferentes países participantes: só Brasil, Venezuela, Catar e Japão não "importaram" mexicanos.

O maior campeão da história do torneio, o Uruguai, conta com o elenco mais "internacional" do torneio. Somente um jogador atua no país. A situação é reflexo da capacidade em revelar jogadores e manter por muito tempo em alto nível vários remanescentes da campanha do último título, em 2011, quando nomes como Luis Suárez e Edinson Cavani se destacaram na conquista, obtida na Argentina.

Confira abaixo os detalhes de cada uma das seleções:  

Grupo A

Brasil: Mesmo sem Neymar, a equipe é uma das favoritas a ganhar o torneio. O técnico Tite manteve boa parte da base da última Copa do Mundo, principalmente os defensores. O craque do time deve ser o meia Philippe Coutinho, enquanto no ataque a aposta será em um novo trio: David Neres, Richarlison e Roberto Firmino.

Bolívia: O time trocou de técnico recentemente e aposta em Eduardo Villegas, trazido após ganhar o campeonato local pelo San José. Do elenco de 23 atletas, 20 atuam no próprio país. O time confia no goleiro Lampe, ex-Boca Juniors, e no atacante Marcelo Moreno.

Venezuela: Antigo saco de pancadas, o país reformulou o futebol a partir da base. Cinco jogadores que vão jogar a Copa América foram vice-campeões mundiais sub-20 em 2017, sob o comando do mesmo treinador da seleção principal, Rafael Dudamel. Grande parte do time atua na Europa e está junto há vários anos.

Peru: Depois de voltar a participar de uma Copa do Mundo, os peruanos confiam na manutenção do trabalho. O argentino Ricardo Gareca continua no cargo, enquanto o time aposta em jogadores bastante conhecidos do público brasileiro. Cueva, Trauco e principalmente Guerrero são os grandes destaques.  

Grupo B

Argentina: Com um treinador interino, Lionel Scaloni, a Argentina aposta em Lionel Messi para evitar um novo fracasso na Copa América. Após ser vice em 2015 e 2016, a equipe tem como ponto forte o setor ofensivo, apesar da defesa desorganizada. Nomes como Aguero e Di María impõem respeito aos adversários.

Colômbia: Com James Rodriguez e Falcao García, os Cafeteros têm uma equipe talentosa e bastante técnica. A base do elenco joga junta há anos e tem além do entrosamento, uma grande experiência obtida nas principais ligas europeias. A novidade para a Copa América é o treinador português Carlos Queiroz, ex-Real Madrid e Irã.

Paraguai: Depois de fracassar nas duas últimas Eliminatórias, a equipe teve um contratempo no início do ano ao ser surpreendida pelo pedido de demissão do técnico Juan Carlos Osorio. O argentino Eduardo Berizzo foi contratado. O craque do time é meia Miguel Almirón, do Newcastle. O capitão é o zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras.

Catar: O atual campeão asiático traz ao Brasil um elenco com média de idade de 25 anos, cuja missão é adquirir experiência para a próxima Copa. A equipe é dirigida pelo espanhol Félix Sanchez e tem como destaque o atacante Almoez Ali, sudanês naturalizado catariano.  

Grupo C

Uruguai: O experiente técnico Óscar Tabárez, de 72 anos, conta com um time com muita bagagem. O zagueiro e capitão Godín é uma referência na defesa, assim como Suárez e Cavani estão entre os nomes mais badalados do futebol europeu. No meio, a equipe aposta na juventude de jogadores como Torreira, de 23 anos.

Equador: Após liderar as últimas Eliminatórias e decepcionar no fim, ao ser desclassificado, a equipe resgatou um antigo herói. O técnico Hernan Dario Gómez, responsável por levar o país à primeira Copa da sua história, em 2002, retornou ao cargo para levar o time de volta aos bons momentos.

Japão: O foco está na Olimpíada. Dos 23 convocados, 18 têm idade para disputar os Jogos de Tóquio, no ano que vem. A equipe foi completada por alguns nomes da seleção principal, com o goleiro Kawashima, o meia Shibasaki e o atacante Okazaki.

Chile: O vencedor das duas últimas edições vem ao Brasil em reconstrução. O técnico colombiano Reinaldo Rueda mescla ídolos do futebol local, como Vidal, Sánchez e Vargas, a novos nomes revelados nos últimos anos. A perda da vaga na Copa da Rússia após anos de glória deixou feridas na seleção.

 

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