JuanJo Martín/EFE
JuanJo Martín/EFE

Saiba tudo sobre as semifinais da Libertadores entre River x Boca e Grêmio x Flamengo

Clássico argentino abre reta decisiva da competição nesta terça-feira, às 21h30; brasileiros duelam na quarta-feira, em Porto Alegre

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 15h21

As semifinais da Libertadores começam nesta semana com dois clássicos nacionais. Na terça-feira, às 21h30, o River Plate recebe o Boca Juniors no Monumental de Nuñez na reedição da decisão do ano passado, que aconteceu de maneira inédita em Madri, depois de muita confusão de torcedores e bate-boca de dirigentes. Na quarta, no mesmo horário, o Grêmio enfrentará o Flamengo em Porto Alegre. As partidas de volta serão realizadas dias 22 e 23 de outubro. O Estado prepara um Raio-X das quatro equipes, apontando pontos fortes e fracos, características de jogadores e da força coletiva de cada um. Na Libertadores tem a vantagem do gol na casa do adversário. 

A expectativa pelo clássico fez com que os dois times argentinos mandassem a campo jogadores reservas para a disputa da competição nacional no fim de semana. O Boca Juniors, líder invicto do torneio com 18 pontos, empatou com o Newell's Old Boys por 1 a 1, em casa. O River Plate, sexto colocado com 14 pontos, venceu o Gimnasia La Plata por 2 a 0 - é o time comandado por Diego Maradona.

No ano passado, a partida foi para a Espanha porque torcedores do River Plate apedrejaram o ônibus da delegação do Boca horas antes da partida. Alguns atletas ficaram feridos e o duelo foi adiado. Quem levou a pior foi o capitão do Boca, o meia Pérez, que segundo o jornal argentino Olé foi diagnosticado com uma úlcera na córnea ao ser atendido em um hospital.

Por questões de segurança, a AFA e os clubes optaram por tirar a partida da Argentina. Houve muita chiadeira. Ficou definido que o duelo seria no Santiago Bernabéu, em Madri, campo do Real Madrid.  O River levou a melhor naquela ocasião e por isso fez poucas mudanças para a atual temporada. Em relação ao time campeão, dois jogadores deixaram o clube: o zagueiro Maidana e o meia Pity Martínez, negociados com Toluca-MEX e Atlanta United-EUA, respectivamente. Para a vaga deles, o River não se reforçou e assumiram lugar no time Martínez Quarta e Nacho Fernández, que já faziam parte do elenco. 

O técnico Marcello Gallardo está no cargo há seis anos. Neste ano, ele  já levantou uma taça, a da Recopa Sul-Americana em cima do brasileiro Athletico-PR. Na temporada, o River tem 59,3% de aproveitamento de seus jogos, com 20 vitórias, 13 empates e 8 derrotas. Gallardo foi jogador do time antes de se tornar treinador. Tem, portanto, a equipe nas mãos. Ele é figura respeitada no Monumental de Nuñez. Tanto é que vai virar estátua no local.

A torcida do River vai lotar o estádio nesta partida. Cerca de 70 mil pessoas são esperadas. A renda estimada deve chegar à R$ 8 milhões. No River, De la Cruz e Pratto estão com boas chances de jogar. Eles estavam machucados. O turma do River sabe que a volta será dura na La Bombonera. O policiamento na capital argentina está em alerta. Depois do que aconteceu na final do ano passado, virou questão de honta que os envolvidos consigam organizar o jogo. A Argentina vai parar. Não há mais ingressos. O jogo terá torcida única.

BOCA

O Boca Juniors tem retrospecto pouco melhor nesta temporada, com 69,1% de aproveitamento dos jogos, com 23 vitórias, 14 empates e três derrotas. Comandado pelo técnico Gustavo Alfaro, a equipe foi campeã da Supercopa Argentina em cima do Central. Da Libertadores do ano passado para cá, o Boca passou por grandes mudanças. A começar pelo treinador Guillermo Barros Schelotto, que caiu. O time titular também é praticamente outro daquela final. Restaram o goleiro Andrada e o zagueiro Izquierdoz.

O time visitante tem como ponto forte justamente o setor defensivo, quase intransponível na Superliga Argentina. Até a partida contra o Newell's Old Boys, foram sete jogos na competição sem sofrer gols, ou mais de mil minutos em que ninguém conseguiu transpor a meta de Andrada. Vale destacar que na última partida, dos titulares, somente Izquierdoz. 

GRÊMIO X FLAMENGO

O Flamengo lidera o Brasileirão e tem como destaque para essa reta final de Libertadores o ótimo entrosamento da dupla Gabriel e Bruno Henrique. O bom entendimento dos atacantes vem desde os tempos do Santos, onde eles se destacaram ano passado. A dupla também abre espaço para os homens de meio chegarem na área. O poder de finalização do Flamengo é gigantesco. Gabigol tem 18 gols no Nacional.

Bruno Henrique ganhou mais confiança após ser convocado por Tite. Ele tem oito gols. Joga geralmente pelo lado esquerdo, sempre com velocidade. É o homem no contra-ataque de Jorge Jesus. Ele faz a jogada e tenta encontrar Gabigol bem posicionado. Não bastaque o poder de ataque dos seus dois homens de frente, o Flamengo chega à semifinal da Libertadores bem melhor do que estava nas outras etapas da disputa. Está no seu melhor momento, cheio de confiança, e com jogadores renomados em todos os setores do campo.

O Grêmio vive fase mais delicada. Perdeu no fim de semana para o Fluminense pelo Brasileirão, mas estava com uma sequência de sete jogos de invencibilidade, com cinco vitórias e dois empates. Isso faz do time um adversário à altura do Flamengo. Elenco por elenco, o do Grêmio é mais modesto, mas o time gaúcho leva para a campo segredo e confiança de saber disputar esse tipo de competição. Até o tropeço, nos últimos quatro jogos, foram 16 gols marcados, o que dá uma média de quatro por partida. Não é pouco. Ganhou recentemente de 6  a 1 do Avaí. O ponto forte da equipe é seu ataque com Everton Cebolinha e Luan, que parece ter reencontrado o bom futebol.

Fora de campo há uma briga boa entre os treinadores. Renato Gaúcho anda provocando Jorge Jesus. Na sua opinião, o português nunca ganhou nada de expressão em seu país e também não tem experiência em outras praças. Os dois farão um duelo à parte em Porto Alegre. 

O Flamengo tem a vantagem de decidir em casa por ter melhor campanha, mas deve tomar todo cuidado no jogo de ida a depender do histórico. Em 42 jogos entre as equipes em Porto Alegre, são 22 vitórias do Grêmio, 16 empates e somente quatro triunfos do time rubro-negro. A última vitória do Flamengo contra o rival fora de casa foi em 2004, nas quartas de final da Copa do Brasil, por 1 a 0. Desde então, foram mais 14 duelos disputados, com dez vitórias do Grêmio e quatro empates.

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