Ennio Leanza/AP - 20/7/2015
Ennio Leanza/AP - 20/7/2015

Raio-X dos cinco anos mais obscuros da história da Fifa

Da escolha das sedes de 2018 e 2022 à investigação sobre Blatter

AFP

25 de setembro de 2015 | 18h16

Das polêmicas acerca da escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 às suspeitas de corrupção que motivaram a abertura de um processo judicial na Suíça contra Joseph Blatter, a Fifa tem vivido os cinco anos mais terríveis de sua história, que afundaram sua imagem com as crises vividas em 2010 e 2015.

2 de dezembro de 2010. São definidas as sedes das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar. "É uma decisão ruim", lamentou Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, país que perdeu a votação para o pequeno emirado no Golfo Pérsico.

11 de maio de 2011. O catari Mohamed Bin Hammam, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e candidato à presidência da Fifa, rechaça as suspeitas sobre a escolha do Mundial de 2022. No final do mês, Bin Hammam aposenta carreira e corrida presidencial e é suspenso por corrupção relacionada à eleição da sede da Copa do Mundo. Blatter fica sem concorrente e é reeleito para quarto mandato à frente da Fifa, válido até 2015.

26 de agosto de 2012. O ex-procurador norte-americano Michael J. Garcia, no comando da Câmara de Instrução do novo Comitê de Ética independente da Fifa, anuncia que vai investigar a designação dos Mundiais de 2018 e 2022 para distinguir "acusações" de "informações".

13 de novembro de 2014. Hans-Joachim Ecker, juiz do Comitê de Ética independente da Fifa, disse que o "Relatório Garcia" contempla "comportamento duvidosos", mas que não houve corrupção nem motivos para duvidar da limpeza do processo de atribuição das sedes de 2018 e 2022. Garcia reivindica que fizeram uma apresentação "errônea e incompleta" de sua investigação e anuncia que recorrerá.

18 de novembro de 2014. A Fifa apresenta denúncia contra a promotoria suíça por "suspeitas" sobre "transferências internacionais do patrimônio com a Suíça como ponto de contato", no processo de atribuição das sedes das Copa de 2018 e 2022. 

16 e 17 de dezembro de 2014. O recurso de Garcia é negado e o ex-procurador americano anuncia sua demissão um dia depois.

27 de maio de 2015. Sete dirigentes de alto escalão do futebol internacional são detidos em Zurique a pedido da Justiça dos Estados Unidos, em uma operação onde foram citadas outras 14 pessoas. Entre os detidos estava o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF. A ata da acusação dos EUA fala na movimentação de US$ 150 milhões (R$ 596,36 milhões) em subornos e comissões desde os anos 90. Também é registrado um processo distinto na Fifa sobre as suspeitas de "lavagem de dinheiro" na escolha dos Mundiais da Rússia e Catar.

29 de maio de 2015. Joseph Blatter, de 79 anos e no cargo desde 1998, é reeleito para o quinto mandato de quatro anos como presidente da Fifa. No mesmo dia, Catar assegura ter respeitado os mais "altos patamares éticos" para obter a Copa do Mundo de 2022.   

2 de junho de 2015. A Fifa reconhece ter realizado em 2008 um pagamento de US$ 10 milhões (R$ 39,76 milhões), vindos da África do Sul (sede do mundial de 2010) nas contas de Jack Warner, vice-presidente da entidade, para o "marco do desenvolvimento do futebol no Caribe". Blatter anuncia sua renúncia e diz que continuará no cargo até a eleição de um novo presidente. 

10 de junho 2015. A Fifa suspende o processo de candidaturas para o Mundial de 2026

9 de julho de 2015. A Fifa suspende por toda a vida Chuck Blazer, o "Senhor 10%", por conta dos milhões de dólares que teria recebido indevidamente. O norte-americano auxiliou nas investigações do FBI em situação de delação premiada.

12 de julho de 2015. A Justiça suíça indica estar estudando 81 casos suspeitos de lavagem de dinheiro, apontados pelos bancos investigados como pagamentos da escolha das sedes dos Mundiais de 2018 e 2012.

14 de setembro de 2015. O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, e a Procuradora Geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, participam de uma conferência de imprensa conjunta sobre as investigações e alertam que estão só no começo.

17 de setembro de 2015. O francês Jérôme Valcke é destituído de suas funções como secretário-geral da Fifa no dia em que dez veículos de imprensa no mundo publicam as suspeitas contra ele por um caso de revenda de ingressos para o Mundial do Brasil. Valcke nega categoricamente as acusações.

25 de setembro de 2015. A Justiça suíça anuncia a abertura de um processo penal contra Joseph Blatter pela suspeita de "má gestão e abuso de confiança". O dirigente também é suspeito por um "pagamento ilegal" de 2 milhões de francos suíços em fevereiro de 2011 destinados a Michel Platini, presidente da UEFA e favorito a suceder Blatter em fevereiro de 2016 como presidente da Fifa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.