‘Ray Whelan não cometeu crime’

Executivo da empresa que comercializou ingressos da Copa do Mundo diz não ser ilegal revender pacotes de hospitalidade

Entrevista com

Jayme Byrom, presidente da Match

Jamil Chade e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 05h05

O presidente da Match, Jaime Byrom, diz não ter dúvidas: Raymond Whelan é inocente. O CEO da empresa é acusado de principal fornecedor do milionário esquema de venda ilegal de ingressos da Copa desarticulado pela operação Jules Rimet e está preso no Rio.

Em entrevista ao Estado, nesta quinta, Byrom afirmou que seu CEO (e cunhado) não cometeu crime porque, embora as leis brasileiras proíbam a venda de ingressos acima do "valor de face", os "pacotes de hospitalidade" que Whelan tentou vender ao franco-argelino Lamine Fofana "não são ingressos". Admitiu incluir "ingressos de acesso à partida", mas trata-se de todo um "pacote de serviços, de estacionamento a alimentos e bebidas".

Para o delegado Fábio Barucke, entretanto, Whelan "facilitou a distribuição de ingressos para a quadrilha, com a ciência de que seriam revendidos por preço superior para os clientes do grupo" e, "portanto, praticou crime de cambismo".

Ray Whelan é inocente?

Sim, sem dúvidas. Muito do que tem sido dito não faz sentido. Não há nada de ambíguo na gravação entre Ray e o Sr. Fofana. Quando aquela conversa foi vazada para a TV Globo, não foi para livrar Ray, mas para incriminá-lo. E não havia nada de ilegal sobre um executivo da Match oferecendo um produto listado em nosso catálogo. No Brasil, o que constitui crime é vender o ingresso com preço acima de seu valor de face. Mas no ingresso do pacote de hospitalidade não há preço. Não é ilegal revender esses ingressos, desde que a revenda seja autorizada pela Match.

Você não considera pacotes de hospitalidade ingressos?

Não são, incluem um ingresso de acesso à partida, mas também muitos outros serviços. Na conversa com Fofana, Ray não falou de ingressos, mas de pacotes de hospitalidade.

A Match esperava algum apoio do governo brasileiro no caso?

Não temos uma relação direta com o governo; fornecemos serviços para a Fifa. Não presumo que deveríamos esperar ajuda do governo. Isso é uma questão entre Polícia Civil e a Match, e estamos aqui para tentar cooperar com eles.

Como avalia a ação da polícia?

A Operação Jules Rimet foi muito abrangente, gastou-se muita energia e esforço, mas gostaria muito de ajudar a 18.ª DP. Seria muito útil se trabalhássemos juntos porque há algumas coisas que talvez não tenham sido totalmente entendidas.

Não falta controle na venda de ingressos?

Não acho. Posso lhe dizer para quem foi vendido cada um dos ingressos. Não pode haver controle maior que esse. E temos uma plataforma digital para revenda. Então não há desculpa para isso (vender para cambistas) a não ser a ganância. E esse problema permanecerá enquanto a Fifa mantiver sua política de ingressos acessíveis. O que cria a oportunidade para o mercado paralelo é o espaço entre o preço de mercado e o de venda de um ingresso: tíquetes que a Fifa escolhe vender por US$ 100, mas que têm preço de mercado maior.

De quem a partiu a decisão de deixar o Copacabana Palace?

Eu não estava presente, mas posso dizer que não foi da Match. Acredito que Ray foi aconselhado por seu advogado a ir com ele para mais orientações. Os termos do Habeas Corpus original só o impediam de deixar o Rio por mais de oito dias seguidos ou deixar o país. Não eram de que ele deveria ficar especificamente no Copacabana Palace.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.