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Razão versus emoção

O Brasil não precisa ganhar da Alemanha nesse reencontro após a Copa, mas deve

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2018 | 04h00

A lista é grande de razões para a seleção brasileira não levar a ferro e fogo o amistoso de terça-feira com a Alemanha, em Berlim. A primeira delas diz respeito à própria importância do encontro. Trata-se de um jogo amistoso, basicamente de treinamento para as duas bandeiras antes da Copa do Mundo da Rússia, que é quando as partidas vão valer, de fato – lembrando que se Brasil e Alemanha não fizerem bem suas lições na primeira fase, vão se enfrentar já nas oitavas.

De qualquer forma, não se apaga uma surra em Copa do Mundo com o troco em qualquer outra competição. A derrota de 2014, em Minas Gerais, por aquele placar que me recuso a dizer, deve ser devolvida em outro Mundial. Tenho dúvidas se um dia vamos nos esquecer dos 7 a 1 – pronto, falei! Levamos mais de 50 anos para enterrar o fantasma do Maracanã, de 1950, mesmo superando o Uruguai em outras ocasiões. E só conseguimos fazer isso porque o futebol brasileiro sofreu trauma maior quatro anos atrás contra a Alemanha. Maior ou equivalente.

O jogo de terça é em Berlim, portanto, sem neutralidade para um amistoso. Isso também faz diferença.

Outra razão para não se apostar tudo nesse reencontro está em campo, ou melhor, em casa se recuperando de uma lesão no quinto metatarso do pé direito. Tite não terá Neymar. Já não teve o jogador contra a Rússia, sexta-feira, na vitória por 3 a 0 em Moscou. Felipão também não teve Neymar naquela semifinal da Copa no Brasil. Ele foi tirado da disputa no jogo contra a Colômbia.

Há quem diga que a Alemanha não teria tanta facilidade, e gols, se Neymar estivesse no Mineirão naquele 8 de julho. Nunca saberemos disso. Nunca! Então, sem Neymar, esse Brasil e Alemanha não pode ser encarado como tal.

De modo geral, salvo exceções, como Marcelo, Fernandinho e Paulinho, por exemplo, incluindo a comissão técnica, tudo mudou na seleção. Nem mesmo o meia Oscar, autor do gol de honra do time, se é que podemos falar de honra naquela apresentação, frequenta mais o elenco nesta fase do Brasil.

No que diz respeito à CBF e organização, muita coisa também mudou desde o 7 a 1. Neste quesito, o futebol brasileiro andou para trás, continuou tomando gols da Alemanha. As contas da Copa não fecharam. Os estádios são subutilizados, a exemplo da reportagem de Raphael Ramos, no Estado, sobre o Mané Garrincha, em Brasília. José Maria Marin, então presidente da CBF, está preso nos EUA. Caiu como toda a cúpula da Fifa. Marco Polo del Nero, que ocupou o seu lugar no Rio, é acusado de cometer sete crimes no cargo e não deixa o País com medo de ser preso.

A seleção, sob o comando institucional de Edu Gaspar, tenta caminhar longe dessa gente e bagunça. Os alemães, por sua vez, desenvolvem “fábricas” de bons jogadores e resultados, como também nos informam Matheus Lara e Jamil Chade na edição desta segunda-feira do Estado.

Razões, portanto, não faltam para o Brasil não levar a ferro e fogo esse reencontro com os alemães. É só um jogo. Mas como a razão sempre dá lugar para a emoção no futebol, todos sabem que a seleção deve ganhar amanhã da Alemanha. Não precisa, mas deve.

Semifinais do Paulistão

Foram jogos de rivalidade e jogadas duras, mas de pouca técnica. Sobrou provocação. O Palmeiras joga pelo empate após ganhar do Santos (1 a 0). O desafio de Roger é recuperar o fôlego e as pernas de seus atletas. O time abriu o bico no Pacaembu. Poderia ter sofrido o empate, até perdido. No Morumbi, o São Paulo fez o mesmo placar diante do Corinthians, ganhando seu primeiro clássico no ano. Tem a mesma vantagem do Palmeiras para chegar à final. Os técnicos se estranharam, alguns jogadores também, o que nos faz crer que a volta em Itaquera será quente.

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