Real calcula prejuízo e discute fiasco

A eliminação na Liga dos Campeões provocou dúvidas, cálculos e reflexões no Real Madrid. O time mais badalado do mundo na atualidade tenta descobrir por que foi humilhado pelo Monaco, quando a vaga para a semifinal parecia mais do que certa. Ao mesmo tempo, sofre com a desconfiança de torcedores e vira alvo de análises duras da crítica.Uma das conseqüências óbvias e imediatas da interrupção do sonho europeu se refletirá nas finanças. O Real deixa de faturar, por baixo US$ 3 milhões, em direitos de televisão e publicidade. Sem contar prêmios e vendas de ingressos.Dinheiro nada desprezível para quem tem astros para sustentar. A política de optar por nomes de peso também está em xeque. O presidente Florentino Perez foi responsável por investimentos milionários, desde que assumiu, em 2000, e ganhou projeção por agrupar craques como Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham.A restrição maior se prende ao estilo 8 ou 80 na composição do elenco. Há monstros sagrados do futebol junto com jovens formados no clube e em busca de afirmação. São raros os atletas ?intermediários?, coadjuvantes que ajudavam a formar o espírito do Real. Nos últimos anos, saíram Hierro, Karanka, Munitis, Makelele, Sávio, Geremi, Karembeu e muitos outros que não tinham grande destaque, mas compensavam com participação decisiva no sucesso. Pecado mortal foi emprestar Morientes para o Monaco. O centroavante marcou nos dois duelos.O Real não tem banco experiente, com exceção de Solari, nem técnico de expressão. Vicente del Bosque não era estrategista e o português Carlos Queiroz ainda não conseguiu tirar o máximo de seus craques. Sem Copa do Rei (perdeu para o Zaragoza) e sem Liga dos Campeões, fica a obrigação de ganhar a Liga Espanhola. Consolo pequeno, para um clube que pensa do tamanho do mundo.

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