TOSHIFUMI KITAMURA/AFP
TOSHIFUMI KITAMURA/AFP

Real Madrid, do técnico Zidane, busca consagração no Japão

Técnico francês busca terceiro título em um ano contra o Kashima Antlers

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2016 | 17h00

Não há dúvida de que o Real Madrid é favorito na decisão do Mundial de Clubes da Fifa contra o Kashima Antlers, neste domingo, às 8h30 (horário de Brasília), em Yokohama, no Japão. A condição, no entanto, não reside apenas por causa da presença de craques como Cristiano Ronaldo, Kroos, Modric e Benzema. O técnico Zinedine Zidane tem uma parcela considerável na iminente consagração de uma equipe que estava desacreditava um ano antes e que agora domina o futebol mundial.

O francês assumiu o lugar do demitido Rafa Benítez no dia 5 de janeiro. A missão era devolver ao elenco recheado de talentos e com inúmeras conquistas importantes no currículo o ímpeto na busca por resultados. Jogador de elegância única em campo, Zidane também foi hábil em sua nova função. Tratou de massagear o ego dos seus principais jogadores.

Cristiano Ronaldo, claro, recebeu atenção especial. Bastaram poucos dias da mudança de comando para o português revelar o veredicto do elenco: “Com Zidane nos sentimos mais valiosos, sentimos seu carinho.”

A relação já era próxima com Cristiano Ronaldo e outros membros do grupo. Zidane havia sido auxiliar do técnico Carlo Ancelotti, em 2013. No ano seguinte, ele assumiu o Real Madrid Castilla, o time B da equipe madrilena, e, apesar de o trabalho não render bons resultados, o francês chegou ao profissional em um momento delicado.

A estreia foi arrasadora. Goleada por 5 a 0 sobre o Deportivo La Coruña, no Santiago Bernabéu. O segundo jogo trouxe mais uma vitória com placar elástico, agora por 5 a 1, diante do Sporting Gijón, novamente em casa. O moral do time estava totalmente recuperado.

Zidane tratou então de dar sua feição à equipe. Sem abrir mão de um futebol ofensivo, ele fez mudanças importantes na estrutura. A entrada de Casemiro para dar segurança à defesa foi uma delas. Também demonstrou ser um estudioso, sem subestimar os rivais. A equipe mudava taticamente sempre que necessário, dependendo de quem estivesse do outro lado e da adversidade do momento.

A eficiência do trabalho do ex-camisa 5 dos madrilenhos pôde ser verificada em campo. Desde que Zidane assumiu como técnico, o Real Madrid perdeu apenas duas partidas: o clássico para o Atlético de Madrid, dia 27 de fevereiro, e para o Wolfsburg, dia 5 de abril, no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Depois disso, o treinador acumulou 36 jogos de invencibilidade – 27 vitórias e nove empates, com 101 gols marcados e 32 sofridos – e bateu o recorde do holandês Leo Beenhakker, que manteve o Real invicto por 34 partidas na temporada 1988/1989. Zidane também está perto da maior série invicta de uma equipe espanhola, com 39 jogos, que é do Barcelona de Luis Enrique, no ano passado.

Neste período, o Real Madrid levou o título da Liga dos Campeões e Supercopa Europeia e, se depender da mentalidade de Zidane, não deixará escapar o Mundial de Clubes da Fifa para o azarão japonês. “Ainda posso melhorar tudo. Tenho de continuar trabalhando”, avisou.

A equipe lidera ainda o Campeonato Espanhol com vantagem para o Barcelona e, ao que tudo indica, não perderá uma segunda chance de derrubar o arquirrival, algo que não foi possível na temporada passada, quando o título foi catalão. 

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