Paul Childs / Action Images Via Reuters
Paul Childs / Action Images Via Reuters

Real Madrid garante investimento de R$ 1,82 bilhão em acordo pelo Santiago Bernabéu

Gigante do futebol espanhol assinou uma joint venture com a empresa de investimentos Sixth Street pela qual os lucros do estádio serão compartilhados

Tariq Panja, New York Times

23 de maio de 2022 | 20h00

O Real Madrid, gigante do futebol europeu, fechou um acordo no qual a empresa de investimentos Sixth Street, com sede nos Estados Unidos, pagará cerca de US$ 380 milhões (R$ 1,82 bilhão) por uma participação de 30% nas operações do estádio do time. Pelos termos do contrato, o clube, que conquistou o 35º Campeonato Espanhol neste mês e está na final da Liga dos Campeões, não teria restrições sobre como gastar seu dinheiro.

O acordo entre o Real e a Sixth Street também inclui a Legends, empresa americana de gerenciamento de eventos esportivos que tem como sócia majoritária a Sixth Street. A parceria terá duração de 20 anos e será realizada por meio de uma joint venture que conterá toda a receita do Real no estádio, com exceção da venda de ingressos para a temporada.

O investimento é a parte mais recente das tentativas do Real de aumentar as novas fontes de receita de seu célebre estádio, que está passando por uma reforma de US$ 1 bilhão, após a qual os jogos serão disputados em um campo retrátil.

“A transformação do estádio Santiago Bernabéu será um ponto de virada na história do Real Madrid”, disse o presidente do Real, Florentino Pérez, em comunicado. “Este acordo reforça o objetivo do clube de continuar aumentando significativamente as receitas do estádio tanto nos eventos esportivos quanto nos outros tipos de eventos”.

Embora o Real continue sendo o player dominante no futebol espanhol e vá jogar a final da Champions League mais uma vez esta semana, o clube vem enfrentando pressão para acompanhar as mudanças nas forças do cenário global do futebol. Apesar de gerar mais riqueza do que praticamente qualquer outro time de futebol ano a ano, o Real vem sofrendo para brigar pelos melhores talentos com clubes apoiados por bilionários e estados árabes. Transformar o Bernabéu no que os dirigentes do clube compararam a uma versão do Madison Square Garden pode ajudá-lo a manter sua força no mercado.

O acordo também traz algumas marcas da liga nacional da Espanha, La Liga, assinado com outro fundo de investimento, a CVC Capital Partners, que o Real rejeitou e está processando. A CVC concordou em ceder mais de US$ 2 bilhões em troca de quase 10% da receita de transmissão da liga por 50 anos, um preço que o Real – e o outro time com mais torcida na liga, o Barcelona, além do Athletic Club de Bilbao — achou que era exorbitante.

Dirigentes do Real apontaram que, diferentemente desse acordo, o acerto com a Sixth Street, que também possui uma parte do San Antonio Spurs da NBA, é limitado à participação do fundo de investimento nos lucros, não na receita do empreendimento.

“O Santiago Bernabéu é um solo consagrado no mundo do futebol e estamos honrados por nos juntarmos a esta parceria para investir na visão estratégica, inovadora e de longo prazo que guiou o sucesso consistente do clube ao longo de sua história”, disse Alan Waxman, sócio fundador e executivo-chefe da Sixth Street.

O Real aproveitou a pandemia e se mudou para seu estádio de treinamento em uma época na qual os torcedores estavam impedidos de participar de eventos públicos. O time voltou à arena nesta temporada, embora as obras de construção continuem. Espera-se que a reforma do estádio seja concluída a tempo do início da temporada 2023-24.

As finanças da equipe estão sob controle, embora a dívida do estádio seja de quase US $ 1 bilhão. A manutenção custa cerca de US$ 40 milhões por ano. A injeção de dinheiro da Sixth Street significará que a dívida do clube será eliminada e substituída por US $ 260 milhões disponíveis para gastar.

Essas finanças podem permitir que o Real adicione reforços após perder Mbappé. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.