Hélvio Romero/Estadão
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Reativo ou proativo

Palmeiras de Luxemburgo ainda não casa em campo com o discurso do seu treinador

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2020 | 04h00

Foram 22 finalizações e apenas três no alvo, duas do Santos e uma do Palmeiras. A posse de bola alviverde ficou em torno de 35% por boa parte do primeiro tempo, fechando antes do intervalo em 44% e assim permanecendo até o final do empate sem gols no Pacaembu, segundo as estatísticas do Footstats. “Vou montar (o time) direcionado para o meu pensamento, que é o de uma equipe mais ofensiva, jogando no campo do adversário, mais proativa. No momento, o pessoal vem falando de reativa e proativa, então é uma equipe mais proativa e buscando o jogo sempre”, disse o técnico Vanderlei Luxemburgo, ainda em dezembro.

Não foi exatamente o que se viu sábado, a exemplo do outro clássico disputado pelo Palmeiras no Campeonato Paulista, também sem gols, em Araraquara, com o São Paulo, ainda pela segunda rodada. “Quando eu venho marcando para o meu campo e venho marcando no meu campo, eu crio o espaço, porque ele (Fernando Diniz) joga com a linha adiantada, então ele fica no sufoco se eu roubar a bola”, disse, justificando sua estratégia de deixar a posse com os tricolores para, recuperando-a, acelerar e tentar surpreender.

A postura do Palmeiras de Luxemburgo até aqui não coincide com o discurso de proatividade ouvido em dezembro. Nos duelos com equipes mais qualificadas, o time foi mais reativo. Não tanto quanto o Vasco de 2019, último trabalho do treinador antes de seu retorno ao futebol paulista, mas foi.

Na única derrota palmeirense na temporada até aqui, a equipe também teve menos posse de bola do que o Red Bull Bragantino no primeiro tempo, quando o jogo se decidiu. O conjunto de Bragança Paulista abriu 2 a 0 antes do intervalo com 57% da posse de bola, 11 finalizações contra duas (6 a 5 nas certas) e mais de 110 passes certos de diferença (257 a 146). No segundo tempo, com a vantagem, deixou a bola com o time de Luxemburgo, que até descontou o placar, mas não ameaçou como deveria. Foram os três confrontos contra equipes da Série A do Brasileiro.

Evidentemente ainda está no começo a temporada, é possível que o Palmeiras amplie seu repertório e mostre novas armas em algum tempo. A média de posse de bola no atual campeonato estadual é de 54,5%. No do ano passado era 53,%. No Brasileirão 2019, ela ficou em 49,5%. Mas cresceu o número de passes trocados, 447 por partida contra 320 no Paulistão 2019 e na Série A passada.

O Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo ainda está vivendo uma espécie de transição. Trafega entre o estilo reativo de Luiz Felipe Scolari, que Mano Menezes não conseguiu transformar como prometera, e a anunciada proatividade. Mas ainda distante do que se anunciava quando de seu retorno ao clube.

Os jogos contra adversários mais difíceis mostram uma equipe mais voltada ao recuo, à busca por espaço para explorar a velocidade de seus jogadores. A entrada de Rony no lugar de Raphael Veiga após o intervalo tornou mais clara a estratégia. Gerou alguns bons ataques no clássico, que ficou franco no final.

Do outro lado do Pacaembu, Jesualdo Ferreira deixava o estádio dizendo que dormiria tranquilo após a atuação do Santos. O experiente treinador português vem sendo criticado e as especulações sobre sua demissão cresceram na última semana. A postura da equipe acalmará sua rotina.

O treinador admitiu que não conhecia os jogadores em sua maioria, ou seja, vinha tateando no escuro. Parece ter encontrado alguma luz no empate sem gols contra o grande de melhor campanha no Estadual e dono do elenco mais caro e badalado. Resta saber se o adversário era, no atual estágio, um teste tão pesado como a teoria apontava.

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