Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Rebelião de aliados deixa presidente do Corinthians isolado

Principais parceiros do dirigente se afastam e devem apoiar candidato oposicionista na eleição em 2017

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2016 | 08h00

O processo de fritura do presidente Roberto de Andrade no Corinthians aumenta a cada dia. Após o diretor de futebol Eduardo Ferreira deixar o clube por não concordar com a contratação do técnico Oswaldo de Oliveira, dois fortes aliados também se afastaram do dirigente: Andrés Sanchez e André Negão.

Ambos, inclusive, já articulam uma nova chapa visando à próxima eleição, em dezembro do ano que vem. Eles se afastaram do atual mandatário por causa da forma com que Roberto tem agido no dia a dia. Tem demonstrado uma postura mais firme e, na visão de seus antigos aliados, ditatorial em determinados momentos.

A gota d’água foi a contratação de Oswaldo de Oliveira, uma decisão exclusiva do presidente, mesmo tendo a rejeição da maioria dos dirigentes e pessoas próximas, como o próprio Andrés. Edu Ferreira reclamou e foi cobrar o presidente sobre o fato de ficar sabendo da contratação do treinador pela imprensa, algo que seria inadmissível, considerando-se que ele era o homem forte do futebol. 

“Pensava em fazer isso (deixar a diretoria) só no fim do ano. Pela forma como foi conduzida a negociação com o novo treinador, resolvi respirar novos ares”, disse Edu, durante a entrevista coletiva em que anunciou sua saída. André Negão é vice-presidente e ainda não comunicou oficialmente sua saída, mas deve formalizar o pedido nos próximos dias. 

Ex-presidente do Corinthians, Andrés não pretende concorrer no próximo pleito, mas quer indicar um possível candidato. Paulo Garcia, por exemplo, é amigo do dirigente e é um dos cotados para tentar ocupar o cargo de Roberto de Andrade. 

Jorge Kalil, outro vice-presidente, também se afastou da atual diretoria e pode sair como candidato. Perder tantas forças ainda tendo mais um ano de governo pode dificultar muito a vida de Andrade. Sem seus aliados, o dirigente pode sofrer para ter, por exemplo, as contas do clube aprovadas pelo Conselho Deliberativo. 

Com tais mudanças, a chapa vencedora que vinha vencendo eleições desde 2006 acabou. A “Renovação e Transparência” foi abolida e novos grupos e líderes surgem no clube, e podem mudar radicalmente o ambiente nos próximos anos. 

“Como um presidente pode comandar um clube do tamanho do Corinthians sem seus dois vices e o dirigente que comanda o futebol? Estão minando ele como fizeram com o Aidar no São Paulo”, comparou um conselheiro próximo do presidente, lembrando situação parecida vivida pelo ex-presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que renunciou meses depois de diversos dirigentes pedirem para deixar o clube.

Velhas caras. A situação desfavorável a Andrade faz com que nem mesmo os resultados dentro de campo e uma possível classificação para a Libertadores no ano que vem acalmem o ambiente. Apesar da comparação com Aidar e com toda a pressão, ainda não existe nenhum movimento para tentar tirar o presidente do cargo. 

Enquanto tenta driblar os problemas nos bastidores, Roberto de Andrade procura por um novo gerente para o futebol, que atualmente conta apenas com Alessandro. Dois ex-dirigentes são cotados para o cargo. Um deles é Duilio Monteiro Alves, que foi diretor adjunto entre 2011 e 2013 e ajudou na montagem do time campeão mundial e da Libertadores em 2012 e do Brasileiro em 2011. O outro é Nei Carlos Nujud, dirigente do clube na conquista do Mundial de 2000, quando Oswaldo de Oliveira era o treinador.

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