Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Receitas com patrocínios sobem no futebol brasileiro, mas ritmo diminui

Faturamento em 2012 alcançou R$ 767 milhões, mas relação de clubes com parceiros precisa mudar

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - O futebol brasileiro obteve R$ 767 milhões em receitas diretas com patrocínios em 2012, considerando-se contratos feitos pelos maiores clubes, CBF e federações estaduais. O valor cresceu em relação aos anos anteriores. No entanto, essa evolução não permite soltar foguetes. Foi menor do que se poderia esperar e sinaliza que o atual modelo de parceria de clubes e entidades com patrocinadores pode estar se esgotando.

Tal possibilidade fica clara quando se constata que, num período de dez anos (2003 a 2012), a receita com patrocínios no futebol brasileiro cresceu expressivos 511% acima da inflação oficial registrada. No entanto, nos últimos anos o ritmo de crescimento vem diminuindo. De 2011 para 2012, por exemplo, a receita dos clubes aumentou cerca de 2,5%, bem abaixo da inflação – 5,84%.

Autor do estudo, que teve os balanços como base, o consultor Amir Somoggi nota com preocupação essa pálida evolução. “Obviamente, tem-se uma força muito grande dessas receitas (para o futebol brasileiro),que cresceram muito na última década’’, disse. “Mas o ano de 2012 foi o período, de todos os anos analisados, que teve o menor crescimento tanto para os clubes, como para a CBF.’’

Ressalte-se, no caso da CBF, que a evolução foi de 7% (de R$ 219 milhões para R$ 236 milhões), o que representa 31% do total do bolo. Os clubes ficaram com 65% do quinhão. “Também é preciso refletir sobre como a CBF sozinha consegue tanto em relação aos clubes’’, pondera Amir.

Ele mesmo enumera os principais motivos favoráveis à entidade: a seleção brasileira tem os melhores jogadores à sua disposição e faz jogos de grande visibilidade, que despertam atenção em todo o mundo (ao contrário dos clubes nacionais).

O fato é que a CBF, que tem na seleção um atrativo e tanto para os patrocinadores, continua fazendo bons negócios. Este ano, já fechou quatro novos acordos e não pretende parar por aí. “Existem outras propostas, que estamos vendo com muito carinho e cuidado”, admite o presidente José Maria Marin.

Para atrair e, depois, agradar aos parceiros, a entidade se propõe até a participar de atividades promocionais diversificadas que venham a ser solicitadas. “Nós ficamos inteiramente à disposição do patrocinador. Quando eles nos chamarem para um anúncio, por exemplo, vamos atender”, promete Marin.

Decisão acertada, entende o consultor, para quem a relação entre clubes e entidades e patrocinadores terá de mudar para que as receitas voltem a subir significativamente. “Os patrocinadores começam a pensar se vale a pena pagar tão caro pelo que os clubes oferecem: o patrocínio de camisa, as placas no campo, o painel de entrevista são recursos que começam a ser considerados insuficientes para o investimento feito’’, alerta.

Amir considera que num futuro próximo vai ser preciso repensar o formato, substituindo o modelo atual, que define como estático e pouco criativo. “Vai ser preciso pensar em implementar projetos comerciais conjuntos, como na Europa, onde os clubes faturam muito mais do que aqui.”

Ele critica o fato de um clube, no Brasil, distribuir os nomes de seus patrocinadores pela camisa, por exemplo. Um aparece na altura do peito, outro na manga, um terceiro na parte inferior... “Isso gera perda, especialmente para o patrocinador. Com mais marcas dividindo o mesmo espaço, automaticamente o impacto que vai ter perante o consumidor final é muito menor’’, diz. “É óbvio que estamos no caminho errado do ponto de vista de marketing.’’

COPA PERDIDA

O consultor nota acomodação no setor de marketing dos clubes. A ponto de não terem percebido as oportunidades oferecidas pela Copa de 2014. Os clubes não podem ganhar diretamente com o evento, mas há outras maneiras de faturar – venda de produtos, visitas às instalações, exposição da marca, etc. “Fala-se em dois milhões de turistas circulando pelo País, entre estrangeiros e brasileiros. Era preciso estar pensando em como estruturar projetos de marketing para aproveitar esse contingente. Mas não sinto essa movimentação. Os clubes só pensam em atrair seleções para seus CTs e mais nada.’’

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