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Recife é a primeira cidade-sede a desistir de fazer a Fan Fest

Cidade alega razões administrativas e financeiras para não organizar shows para os torcedores

Marcela Balbino, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 09h32

RECIFE - Faltando 118 dias para o início da Copa, a Prefeitura do Recife anunciou ontem o cancelamento do Fifa Fan Fest, festividade que acontece nas cidades-sede. Com a decisão, Recife torna-se o primeiro município a abrir mão do evento.

O secretário municipal de Esportes e da Copa do Mundo do Recife, George Braga, negou a conotação política do cancelamento por causa de um eventual desentendimento com o Governo Federal. "A motivação foi exclusivamente administrativa e financeira."

Inicialmente orçada em R$ 20 milhões, a festa teve o custo reduzido para R$ 11 milhões depois da mudança de lugar e a diminuição do calendário festivo de 27 para 14 dias. O modelo incluía shows, e transmissões dos jogos em um telão.

De acordo com George Braga, o fato de a Fifa ter dado incentivo para que outras cidades-sede, como São Paulo e Rio de Janeiro, captassem recursos privados para bancar a festividade foi outro argumento que estimulou a decisão.

Pelo contrato assinado entre as partes, Recife tem a obrigação de realizar a festa, mas não multa ou punição estabelecida caso não a realize. De acordo com o secretário, a cidade se dispõe a tocar o Fan Fest caso a Fifa consiga o financiamento privado. Em nota, a Fifa se mostrou surpresa e afirmou que oferece todo o apoio financeiro. "A Fifa oferece o mesmo apoio a todas as sedes, sendo as únicas diferenças o investimento por parte das sedes com base no tamanho de seus eventos."

OTIMISMO

A poucos dias da decisão sobre a permanência de Curitiba como uma das sedes - a definição será terça-feira -, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu um pouco de otimismo aos organizadores locais em sua coluna mensal no site da Fifa. "O governo brasileiro, as autoridades municipais e estaduais, a Fifa e o COL estão buscando soluções para ajudar a sede a recuperar o atraso e esperamos garantir que uma cidade tão especial em termos de sustentabilidade e paixão pelo futebol continue a fazer parte da Copa", ressaltou.

Caso a cidade fique fora da competição são esperadas perdas de R$ 1 bilhão, segundo as entidades de turismo, hotelaria e entretenimento.

IMPASSE NO SUL

O presidente do Inter, Giovanni Luigi, admitiu ontem que Porto Alegre pode ficar sem jogos da Copa se o impasse sobre a responsabilidade pelas estruturas complementares ao Beira-Rio não for resolvido. "Se não encontrarmos um denominador comum existe o risco, e não é pequeno."

Não haveria tempo para uma substituição, pois a Arena do Grêmio não está com as vias de acesso prontas e dependeria dos mesmos gastos do entorno do beira-rio.

O Internacional entende que por ceder o Beira-Rio e mais seu centro de eventos, edifício-garagem e ginásio Gigantinho, sem cobrança de aluguel, não deve gastar os R$ 41 milhões previstos para áreas de mídia e recepção de torcedores e voluntários. "Essa é uma responsabilidade da sociedade gaúcha", ressalta Luigi.

O coordenador executivo do Comitê Gestor da Copa do governo do Estado Maurício Nunes Santos diz que o Internacional precisa "responder por essa necessidade" e sugere empréstimos bancários ou a busca de parcerias com patrocinadores e torcedores. Colaboraram Júlio César Lima e Elder Olgliari.

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