Recuperado para o futebol, Denilson comemora bom momento

Destaque da vitória sobre o Internacional, jogador espera manter ritmo de jogo no Palmeiras

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2008 | 18h30

Em setembro de 2006, Denilson era apresentado no Al Nasr, da Arábia Saudita. Poucas semanas depois, percebeu que as condições de seu novo clube não eram as que tinha imaginado. Perdeu a motivação de treinar, engordou, deixou a alegria de jogar futebol de lado. E colocou em xeque o seu futuro. Um ano e meio depois - e outras desilusões no caminho -, o experiente jogador de 30 anos recolocou o sorriso no rosto graças ao bom futebol apresentado no Palmeiras. No domingo, Denilson foi um dos destaques do Palmeiras na vitória sobre o Internacional, por 2 a 1, no Palestra Itália, pela segunda rodada do Brasileirão - ele, inclusive, marcou o primeiro gol do jogo. Depois da partida, o atacante chegou a chorar durante a entrevista coletiva, ao lembrar que chegara ao clube sob a desconfiança de torcedores, alguns diretores e jornalistas. "Tinha dúvida se teria a chance de jogar em um outro grande clube novamente", contou Denilson, em entrevista nesta segunda-feira, ao falar sobre os últimos anos da carreira, antes de chegar ao Palmeiras no começo da atual temporada. Campeão mundial com a seleção brasileira na Copa de 2002, Denilson começou a cair de produção após deixar a Bordeaux em 2006. "Foi na França que joguei pela última vez num nível alto. Depois fui para a Arábia e comecei a não me preparar fisicamente", revelou o jogador. "Não tinha boas condições lá." Mais gordo e desiludido, Denilson deixou a Arábia em meados de 2007 e começou a treinar no Palmeiras, apenas para recuperar a forma física, até receber proposta do Dallas, dos Estados Unidos. Aceitou. "Lá a estrutura era excelente, mas não tinha gana de jogar futebol. Sabia que precisava melhorar fisicamente, mas e a motivação? Não tinha", admitiu. De volta ao Brasil no começo do ano, Denilson voltou a trabalhar no Palmeiras, novamente apenas para manter a forma. Dessa vez, no entanto, recebeu o aval do técnico Vanderlei Luxemburgo e assinou um contrato de risco com o clube. Aí, foi ganhando seu espaço aos poucos, até mostrar que merece a confiança dos palmeirenses. "O Palmeiras me recebeu de braços abertos, com profissionais preocupados em me recuperar, o que foi fundamental para mim", explicou Denilson, feliz da vida pelo bom momento dentro e fora do campo. "E aqui estou perto de amigos e familiares." Além das dificuldades na carreira, Denilson afirmou que sofreu com problemas pessoais nos últimos anos. E estar com a família novamente o ajudou a recuperar a alegria de estar em campo. Em São Paulo, ele mora com os pais e a irmã. "Sempre tivemos uma grande união", justificou. Até agora, Denilson realizou 21 jogos na temporada 2008, sendo seis como titular do Palmeiras. Marcou quatro gols e sonha estar novamente em campo desde o começo da partida de domingo, contra a Portuguesa, no Pacaembu, pela terceira rodada do Brasileirão. Mesmo se voltar para o banco de reservas, ele não tem do que reclamar. Afinal, já conseguiu o que queria: "Recuperei o prestígio e o respeito dos críticos."

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