Carlos Cristal/HB Rio Preto
Carlos Cristal/HB Rio Preto

Rede do Mineirão usada no 7 a 1 vira dinheiro para ajudar cadeirantes

Leilão na Alemanha rende R$ 200 mil para mantenedora de faculdade de medicina em São José do Rio Preto, que vai usar valor para ensinar basquete a deficientes físicos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 04h30

Tem brasileiro feliz com a goleada de 7 a 1 que a Alemanha aplicou no Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014. O vexame histórico da seleção vai render R$ 200 mil à Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme) de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O dinheiro, resultado de um leilão feito na Alemanha de uma das redes que balançaram durante a goleada no Mineirão, será usado num projeto que pretende transformar jovens cadeirantes em promissores atletas para o basquete nacional.

A instituição foi uma das quatro entidades brasileiras selecionadas para receber o dinheiro arrecadado pela Associação Alemã de Assistência aos Acometidos pela Hanseníase e Tuberculosos (Dawn), em parceria com o estádio do Mineirão, de Belo Horizonte, no programa “Goleada do Bem”. A Funfarme é mantenedora da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) e do Hospital de Base, um dos maiores do interior.

A diretora administrativa do hospital, Amália Tieco, conta que o projeto “Cadeira com Asas” vai ensinar basquete em cadeira de rodas para cerca de 60 crianças, adolescentes e jovens com deficiência motora.

Serão necessários mais R$ 600 mil para compra de equipamentos, cadeiras de rodas especiais, contratação de profissionais – médicos, fisioterapeutas e psicólogos – e adequação da quadra da Famerp para as atividades práticas, mas o dinheiro daquela rede, que não sai da lembrança dos torcedores brasileiros, será o pontapé inicial. “Estamos muito felizes porque esse projeto vai ajudar a mudar a vida de várias crianças por meio da inclusão social e da prática de um esporte”, disse Amália.

Foi o que aconteceu com Rafael Eduardo, de 21 anos, que ficou paraplégico ao ser atingido por um tiro durante uma briga em um pagode, em 2015. Ele passou por reabilitação na unidade de Rio Preto da rede Lucy Montoro, também parceira da Funfarme, e passou a praticar o basquete em cadeira de rodas. No ano passado, Rafael ajudou sua equipe, o Clube Amigo dos Deficientes (CAD), a se sagrar campeã brasileira. Este ano, o time ficou em segundo lugar ao perder para a ADD Magic Hands por 69 a 52 na decisão.

O atleta pretende ser a inspiração para as crianças e jovens do projeto. “Entrei no esporte há dois anos e foi o que salvou a minha vida. Mudou tudo, não só a cabeça, mas o físico e, principalmente, ajudou a reduzir a dependência”, explicou.

O projeto da Funfarme foi escolhido entre 50 que disputaram os recursos. As outras instituições brasileiras beneficiadas foram o Instituto Geração 4, de Jaboatão dos Guararapes (PE), Fundação Benjamin Guimarães – Hospital da Baleia e o Projeto Bom na Bola, Bom na Vida, ambos de Belo Horizonte (MG). O dinheiro foi entregue terça-feira, em solenidade no Mineirão.

AJUDA

Depois da inesquecível goleada, e também porque ficaram satisfeitos com a receptividade dos brasileiros, os alemães quiseram contribuir com projetos sociais no País. Em parceria com o Mineirão, uma trave e uma das redes utilizadas na partida foram levadas para o país europeu e surgiu o projeto “Goleada do Bem”. A trave está exposta em um museu na cidade de Dortmund.

A rede foi dividida em pedaços e a Dahw, uma ONG fundada em 1957, na cidade de Würzburg, se incumbiu do leilão. Cada pedaço saiu por 71 euros (R$ 302), resultando na arrecadação de R$ 813 mil.

 

 

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