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Reeleito na FPF, Reinaldo Bastos defende união e exalta 'transparência' do pleito

Sem nenhum candidato de oposição como adversário, dirigente terá novo mandato de quatro anos

Rafael Franco, Estadão Conteúdo

30 Agosto 2018 | 17h38

Sem nenhum candidato de oposição como adversário, Reinaldo Carneiro Bastos foi reeleito nesta quinta-feira à tarde, em São Paulo, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) para um mandato de mais quatro anos, pelo período de 2019 a 2022. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na sede da entidade, que contou com a presença de representantes de vários clubes do estado de São Paulo, o dirigente teve a sua permanência no cargo assegurada após ter assumido o mesmo anteriormente em abril de 2015, quando Marco Polo del Nero o deixou antes de se tornar presidente da CBF.

Candidato único, Reinaldo Bastos foi eleito por aclamação pelos clubes e ligas do futebol paulista. Ele se reelegeu como líder da chapa "União Pelo Futebol", que também conta com os vice-presidentes Fernando Solleiro e Mauro Silva, ex-jogador da seleção brasileira que hoje faz parte da diretoria da FPF.

Também nesta assembleia foram eleitos para o Conselho Fiscal da entidade os seguintes membros: a ex-jogadora de basquete Maria Paula Silva, a Magic Paula, presidente também da organização Atletas pelo Brasil; José Carlos Cosenzo, promotor de Justiça e coordenador de assuntos estratégicos do Ministério Público; e Vanderlei Aparecido Pereira, ex-presidente da Ponte Preta. Já Rodrigo Benedito Tarossi e Carlos Alberto Amado Costa foram confirmados como membros suplentes.

Após ser reeleito em assembleia, Reinaldo Bastos deu uma breve entrevista coletiva na porta da FPF, onde garantiu que a processo eleitoral foi realizado de forma correta. "Conversamos com a grande maioria dos clubes e fizemos tudo de forma muito transparente. Colocamos a eleição na mão de órgãos independentes e não comandamos o processo eleitoral. Fizemos tudo com transparência. E isso para nós é fundamental", afirmou o dirigente.

E o presidente reeleito garante que o mais importante será todas as partes trabalharem de forma unida para o desenvolvimento do futebol paulista. "Em mais de três décadas atuando no esporte, a maior lição que tirei foi que o futebol só evolui com os clubes e federação unidos. Começamos há pouco mais de três anos uma nova era na FPF, buscando a transparência, competência e excelência. Precisamos de todos juntos, com humildade e coragem para reconhecer e corrigir erros, buscar sempre o melhor", ressaltou.

PLANO DA GESTÃO 

Antes da assembleia na qual Reinaldo Bastos foi reeleito, a FPF promoveu no hall de entrada de sua sede um rápido coquetel aos presentes e divulgou o seu plano de gestão para este novo período de gestão da situação.

Com o título "União do Futebol Paulista", o material de divulgação destacou que este próximo quadriênio (2019-2022) de administração da entidade estará baseado em quatro pilares: "Planejamento e gestão participativa", "desenvolvimento e capacitação", "valorização e fortalecimento" e finalmente "base e fomento".

Definindo-se como uma "gestora das vontades dos clubes" paulistas, a FPF diz esperar que, com "profissionalismo e transparência", consiga atingir as suas principais metas, que citou como as seguintes: "Amplificar a soberania paulista no futebol nacional, gerar mais receitas aos clubes e evoluir ano a ano na organização dos campeonatos".

Por meio de contribuições e subvenções que beneficiaram os clubes de diferentes maneiras (não apenas por dinheiro repassado aos times) e foram declaradas em seus últimos balanços financeiros anuais, a FPF colaborou para as equipes com uma quantia total de R$ 53,4 milhões entre 2015 e 2017. E já para 2018 há um valor orçado de R$ 17,9 milhões. É um aumento significativo em relação a 2014, quando R$ 7,8 milhões foram investidos pela entidade com subvenção aos clubes - o valor atual representa um crescimento de 129,3% em relação ao de quatro anos atrás.

Ao elencar pontos positivos da gestão atual, a FPF também destacou nesta quinta-feira que desde 2015 investiu R$ 11,7 milhões com o seu programa "Futebol Sustentável" e que os gastos promovidos para melhoria da qualidade da arbitragem nas partidas nas divisões estaduais subiu de R$ 1,5 milhão em 2014 para R$ 2,6 milhões neste ano.

Na última quarta-feira, a FPF também confirmou ao Estado que, por meio de cotas e patrocínios acertados apenas para 2018, garantirá a injeção de um investimento previsto de mais de R$ 145 milhões até o fim do ano. A atual gestão destaca que o valor é 40,5% maior do que o total pago aos times das Séries A1, A2, A3 e da Segundona (quarta divisão estadual) em 2014, quando as equipes receberam pouco mais de R$ 103 milhões por meio desta mesma fonte de receitas.

DEL NERO

Reinaldo Bastos foi reeleito presidente depois também de ver Del Nero, banido do futebol pela Fifa por corrupção, articular nos bastidores para tentar retomar o poder na entidade por meio dos seus aliados, pois não pode concorrer a qualquer cargo com a punição que recebeu. Ex-mandatário da entidade paulista e da CBF, ele prometeu ajuda financeira e até regalias a dirigentes de clubes nos quais tem bom trânsito, entre eles Marquinho Chedid, presidente do Bragantino, que chegou a despontar como possível candidato de oposição na eleição desta quinta-feira.

Sob influência de Del Nero, Chedid liderou um movimento batizado de "Renovação do Futebol Paulista", que fez várias reivindicações à FPF e cobrou mudanças, entre as quais a instituição de um calendário anual para as equipes paulistas e também o aumento de 100% a 200% dos valores das cotas pagas aos times que hoje integram as Séries A2 e A3 e a Segundona estadual.

Lançado em julho, o movimento optou por não inscrever uma chapa de oposição para concorrer com Reinaldo Bastos e, no início de agosto, anunciou que conseguiu um entendimento com a atual gestão da FPF para cumprir ao menos parte das reivindicações enumeradas em 12 itens revelados em um documento distribuído aos clubes.

 

 

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