Reflexos do dérbi

Corinthians e Palmeiras levam os desdobramentos do fim de semana para a Libertadores

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2018 | 04h00

No sábado, o Corinthians enfrentou o Palmeiras e ganhou o clássico pela quarta vez consecutiva. O jogo teve gol bonito, polêmicas, expulsão, pênaltis alvinegros, reclamações alviverdes. Página virada e vida que segue?

Em parte. O dérbi do Paulistão prossegue, num Parque e noutro. Agora com reflexos para a disputa da Libertadores. Por coincidência na Colômbia – os corintianos enfrentam o Millonarios, hoje, enquanto os palestrinos amanhã pegam o Júnior, em Barranquilla.

Cada um embarcou para a aventura sul-americana em diferente estado de espírito. O Corinthians encheu-se de moral, após os 2 a 0, com esboço de olé nos instantes derradeiros. A trupe de Fábio Carille andava um tanto cabisbaixa com derrapadas no torneio doméstico e com a ausência de nomes de peso para substituir Pablo, Jô e Arana, que bateram asas no fim de 2017.

O desempenho impecável diante do Palmeiras mudou o panorama. Carille voltou a falar firme e a desfiar as virtudes do elenco e das variantes táticas. Deu – e, por tabela, pediu – voto de confiança para os jogadores à sua disposição e prevê papel bonito nos desafios continentais. Pronto, eis que ressurgiu o otimismo do ano passado.

Sentimento justo – e previsível. O discurso do professor não poderia ser para baixo. Caso contrário, haveria risco de contaminar a expedição. Carille sabe que obstáculos maiores vêm a partir de agora, na Libertadores, nas etapas decisivas do Paulista e no Brasileiro. O resultado positivo sobre o Palmeiras serviu como tira-gosto e estimulante.

A equipe armada com bloco no meio-campo e movimentação intensa funcionou bem. Em princípio, foi pontual, utilizado para situação específica e contra rival que precisava ser parado. Mesmo assim, agradou tanto que a tendência é a da repetição, com a entrada de Mateus Vidal no lugar de Rodriguinho (suspenso). O restante permanece. 

Carille testará, a partir desta quarta-feira, se terá encaixado o quebra-cabeças para o Corinthians de 2018 sem um jogador de referência na frente, pois não se encontra substituto para Jô. O quadro era pouco entusiasmante no ano passado, nesta altura da temporada, e virou um sucesso. Repeteco?

Onde não se quer saber de reprise é no Palmeiras. A derrota no sábado atiçou fantasmas dos fiascos anteriores. O futebol insosso, fútil e débil apresentado no tira-teima com adversário tradicional desencadeou cobranças generalizadas, que já atingiram jogadores e respingaram em Roger Machado. 

As reticências abrangem o setor defensivo (o miolo da zaga passou a ser pouco confiável), o meio-campo (Dudu anda sumido e Lucas Lima não chamou a responsabilidade no clássico) e o ataque, visto como instável. E o técnico entrou na mira dos que o consideram “verde”, sem trocadilho, para empreitada de tanto vulto no Palestra.

Ou seja, de uma hora para outra o time que despontava como sensação ficou sob fogo cerrado. Houve até quem pedisse punição para Jaílson porque a mãe dele é corintiana, esteve nas tribunas em Itaquera e vibrou com os gols do “inimigo”! Daí é caso para internação...

De qualquer forma, Roger entendeu o significado da derrota. Tanto que acena com mexidas. Ok, mude no que for necessário, e com critério. Caso contrário, incorrerá no erro de Eduardo Baptista, Cuca e Valentim, que trocavam no calor dos tropeços e não montaram um time. A Libertadores é a grande prova para atletas, treinador e... torcedores.

NA TORCIDA

Neymar é o grande nome do Brasil e uma das estrelas esperadas no Mundial. Acidentes de trabalho acontecem, mesmo com craques. E a recuperação vem, com os avanços na medicina, com esforço individual. Com fé. Neymar vestirá a amarelinha na Rússia. Esperamos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.