Reforço de Rivaldo já mexe com o Cruzeiro

O meia-atacante Rivaldo só irá falar sobre sua transferência para o Cruzeiro na próxima quinta-feira, data de sua apresentação na Toca da Raposa 2, em Belo Horizonte. Mas, mesmo sem qualquer pronunciamento do craque, a negociação com o jogador já mexe com a cabeça da diretoria do clube mineiro.Tanto que, jogadores antes considerados fundamentais no elenco para esta temporada, imediatamente após o anúncio do negócio com o pentacampeão perderam destaque e ganharam o status de moeda de troca ou de peça descartável.O primeiro a receber a notícia de que não interessava mais ao clube foi o colombiano Aristizábal. Como não aceitou a proposta de renovação oferecida a ele - praticamente a mesma do início de 2003 -, foi descartado pela diretoria do Cruzeiro, que passou a considerar o investimento no jogador acima da média adotada pelo clube. Especula-se que tenha pedido um aumento de 30% para renovar. "Fizemos a proposta há mais de um mês e o Aristizábal não tomou uma decisão. Não vamos tratar nenhum jogador de forma diferenciada, pois o Cruzeiro está acima de todos eles", afirmou o vice-presidente de futebol do clube, Zezé Perrella, insinuando que o colombiano estaria buscando uma valorização acima daquilo que merece.Outro que tomou um "corretivo" da diretoria foi o atacante Mota. Considerado o talismã do Cruzeiro e tratado como xodó pela torcida, o cearense perdeu prestígio com os dirigentes, que estão irritados com sua indefinição. "Se ele não aceitar a nossa proposta até a reapresentação do grupo, na segunda-feira, pode procurar outro clube para jogar", ameaçou Zezé Perrella, criticando o excesso de procuradores e advogados do jogador, que marcou 24 gols pelo clube em 2003. "Ele é um bom rapaz, mas está mal assessorado. Tem quatro procuradores e três advogados. Estamos perdendo a paciência. Se ele não quiser o Cruzeiro, que vá embora", esbravejou o dirigente.A negociação com Mota está paralisada desde o dia 16 de dezembro, porque os procuradores do jogador contestaram a forma de pagamento anteriormente definida no pré-contrato. A diretoria propôs o pagamento parcelado de 60% dos direitos econômicos do atacante por R$1 milhão.Diante do impasse e após a contratação de Rivaldo, Zezé Perrella passou a ironizar a atitude de Mota. "Imaginem vocês. O Rivaldo nos procurou porque quer jogar no Cruzeiro. Já o Mota não quer. É duro! Não vou esperar muito mais pelo Mota. Se ele quiser, nos ligue e diga que está tudo certo", avisou.Por outro lado, jogadores que, mesmo como titulares da equipe não tinham grande prestígio, passam a ganhar maior valorização com a chegada de Rivaldo. Isso porque a empresa que viabilizará a contratação do pentacampeão já é parceira do Cruzeiro em outros negócios envolvendo atletas, como é o caso do lateral-esquerdo Leandro, do volante Martinez, do lateral-direito Maurinho, do zagueiro Edu Dracena e do meia Sandro, todos trazidos pela diretoria com o apoio do grupo farmacêutico EMS, que tem sede em Campinas, e detém a marca Energil C.O parceiro na negociação deve pagar mais de 50% do investimento em Rivaldo. Os valores do contrato não foram divulgados, mas o salário do jogador pode ser comparado ao do meia Alex, até então, a principal estrela do time. "Mesmo que tivéssemos que pagar 100% dos salários do Rivaldo, não estaria fora da realidade brasileira. O custo dele, para o Cruzeiro, é mais baixo que o do Alex", disse Zezé Perrella, explicando o motivo do interesse do patrocinadora no jogador. "A estratégia é valorizar o grupo do Cruzeiro, que tem cinco atletas numa parceria com a Energil. Se o Rivaldo chama a atenção do mundo para o Cruzeiro, os outros jogadores da EMS também se valorizam. Essa é a idéia", revelou.

Agencia Estado,

06 de janeiro de 2004 | 17h56

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.