Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Reforço na segurança não impede manifestações no hotel da seleção

Ao contrário do que foi declarado pela presidente Dilma, esquema foi burlado por professores em greve

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2014 | 14h17

RIO - A presidente Dilma Rousseff havia dito no fim do mês passado, em conversa com editores de esporte de vários jornais do País, que as seleções que disputarão a Copa terão segurança máxima. "Ninguém vai encostar a mão nas delegações das seleções como fizeram com o ônibus da Itália na Copa das Confederações. A segurança vai ser total", declarou na ocasião. Mas não foi o que aconteceu logo na primeira oportunidade.

Na manhã desta segunda-feira (26), pelo menos uma centena de professores da rede pública do Rio, que estão em greve desde o dia 12 de maio, cercou o ônibus da seleção brasileira que saía de um hotel na zona norte do Rio, onde os jogadores se reuniram antes de iniciar o deslocamento à Granja Comary (Teresópolis, cidade na região serrana do Estado do Rio). Mesmo com forte aparato de segurança, que incluiu profissionais do Batalhão de Choque da Polícia Militar e da Polícia Federal (PF), dezenas de adesivos dos grevistas foram colados nas laterais do ônibus. Aos gritos de "Não vai ter Copa!", alguns chegaram a dar tapas no veículo.

Os manifestantes chegaram à frente do hotel por volta das 9h50 - a saída do ônibus a Teresópolis estava prevista para as 10h. Eles vieram a pé pela Avenida 20 de Janeiro (Ilha do Governador), cruzaram um canteiro de aproximadamente 20 metros e se postaram diante do edifício. Apenas um portão impedia o acesso ao Hotel Linx.

Empunhando cartazes, faixas e proferindo gritos de ordem, os manifestantes pediam por melhorias na educação e na saúde. Houve vaias quando duas vans identificadas como sendo do estafe da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) chegaram, poucos minutos depois. Um cordão de isolamento foi organizado pelos seguranças, enquanto policiais militares do Batalhão de Choque apenas observavam.

O ônibus com a delegação brasileira saiu do hotel às 10h25. À frente, batedores em motocicletas. Caminhonetes do Batalhão de Choque e da PF tentavam abrir caminho. Foi difícil. O trajeto de aproximadamente 200 metros entre o hotel e a avenida levou 10 minutos, tamanha a aglomeração de pessoas em volta do ônibus. À exceção de um ou outro empurrão, não houve violência.

Em seguida, os manifestantes correram para tentar o bloqueio de uma das faixas da avenida, por onde o ônibus passaria. Muitos se sentaram no chão. Os policiais que faziam a escolta decidiram usar outro caminho: o ônibus desviou para a Base Aérea do Galeão e a viagem a Teresópolis transcorreu tranquilamente. Foi o primeiro drible da seleção brasileira, que logo de cara teve que enfrentar marcação cerrada.

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