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Refugiado derrubado por cinegrafista vai para escola de futebol

Osama Abdul Mohsen e seu filho viverão no subúrbio de Madri

Estadão Conteúdo

16 de setembro de 2015 | 13h12

O refugiado sírio que acabou sendo vítima de uma rasteira de uma cinegrafista de um canal de TV húngaro quando tentava cruzar a fronteira na Hungria, com o seu filho no colo, irá viver no subúrbio de Madri depois que uma escola de futebol espanhola, localizada em Getafe, lhe ofereceu um apartamento e ajuda para começar uma nova vida fora do seu país.

Osama Abdul Mohsen e seu filho, Zaid, de 7 anos de idade, pegaram um trem cuja chegada à capital espanhola está prevista para acontecer no final da noite desta quarta, segundo informou Luis Miguel Pedraza, do Centro Nacional de Formação de Treinadores (CENAFE). Um graduado desta mesma escola, que fala árabe, acompanharia Mohsen nesta viagem.

O refugiado foi visto em um vídeo carregando o seu filho quando a cinegrafista húngara Petra Laszlo lhe passou o pé. Na ocasião, Mohsen caiu sobre o menino Zaid no solo, enquanto outro refugiados tentavam escapar de policiais perto da aldeia húngara de Röszke. Depois do ocorrido, ele foi parar na Alemanha, país que está abrigando o maior número de refugiados na Europa e onde a imprensa local revelou que Mohsen foi técnico de futebol na Síria. Ele chegou a treinar o Al-Fotuwa, time da elite do país.

A escola de futebol espanhola, ao saber da história do refugiado, convenceu o mesmo a viajar até Getafe, que fica apenas a 12 quilômetros de Madri. A academia de futebol em questão tem o objetivo de oferecer emprego ao refugiado, mas quer que Mohsen primeiro aprenda a falar espanhol - no momento ele conversa somente em árabe e um pouco em inglês.

"A primeiro coisa que faremos é ajudá-lo a se instalar. Primeiro lhe ajudaremos como um gesto humanitário. Depois buscaremos algo. Ele está interessado em nossa escola", afirmou Pedraza. A escola de futebol planeja ajudar Mohsen a solicitar asilo na Espanha, país que na semana passada concordou em acolher 17.680 refugiados da Síria e outros países no que é um reflexo de um plano da Comissão Europeia.

A cinegrafista húngara acabou sendo demitida após a revelação de imagens nas quais ela derrubou Mohsen, seu filho, e chutou outros imigrantes que tentavam entrar na Hungria perto da fronteira com a Sérvia. O refugiado sírio, que anteriormente deixou o seu país, destruído pela guerra que já matou 250 mil pessoas nos últimos cinco anos, tinha o objetivo de ingressar na Alemanha. Ele estava na Turquia, sem emprego e com dificuldades financeiras, e vinha realizando a perigosa viagem com o seu filho desde o início do mês.

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