James Montague/The New York Times
James Montague/The New York Times

Refugiados usam a Copa do Mundo como entrada para a Europa

Africanos e asiáticos têm aproveitado o evento para conseguir entrar no continente europeu

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 05h00

Para muitos torcedores, o ingresso de um jogo da Copa do Mundo é um sonho, nutrido desde criança. Mas, para um grupo de pessoas, ele se tornou um passaporte para uma fuga. Nos últimos dias, autoridades russas e europeias têm se deparado com um número cada vez maior de cidadãos africanos e asiáticos que têm usado a Copa na Rússia como caminho para pedir refúgio na Europa. Em pelo menos um caso, o “torcedor” que tentou cruzar a fronteira também usava um passaporte falsificado do Brasil.

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Pelas regras estabelecidas pela Rússia, torcedores que compram ingresso não precisam solicitar visto de entrada para o território, um dos mais controlados do mundo. Mas o resultado tem sido a chegada de pessoas cujo objetivo não é o de ver futebol, mas o de usar o território russo para chegar à Europa.

Além da ampla fronteira com países da UE, a Rússia oferece outras vantagens aos imigrantes. Pelas regras da Copa, o ingresso permite que um torcedor possa fazer escala em uma capital europeia, mesmo sem um visto para aquele país.

O resultado dessas brechas na lei foi o desembarque em Helsinque, na semana passada, de imigrantes chineses que, ao fazer a conexão de voo para continuar a viagem para Moscou, se apresentaram à polícia finlandesa e solicitaram asilo político no país.

 

Mesmo aqueles que viajam diretamente para a capital russa têm usado o sistema de trens da Rússia para abandonar a cidade e ir em direção à fronteira com o país escandinavo. De acordo com a Guarda Fronteiriça da Finlândia, um nigeriano tentou entrar no país usando um ingresso da Copa e um passaporte falso do Brasil.

As autoridades finlandesas também confirmaram que, na semana passada, três marroquinos foram presos tentando cruzar a fronteira. Todos eles tinham ingressos para o jogo Marrocos x Irã, disputado em São Petersburgo.

“Os marroquinos admitiram ter violado a lei e que seu objetivo não era ir para a Copa, mas cruzar a fronteira para a Finlândia”, disse um comunicado da Guarda Fronteiriça do país escandinavo. Além da viagem de trem, os marroquinos caminharam por doze horas para conseguir cruzar a fronteira.

Não foram os únicos. Chineses também têm usado a Copa como “passagem” para uma fuga para a Europa, usando inclusive as fronteiras da Noruega e Polônia. Na Bielo-Rússia, pelo menos quatro marroquinos que tinham comprado ingressos para a Copa foram detidos ao tentar cruzar a fronteira em direção da Polônia, país que faz parte dos acordos de livre circulação de pessoas da Europa.

Diante da onda de casos registrados pelas fronteiras, as autoridades russas admitiram que passaram a ampliar o controle sobre aqueles que desembarcam no país, mesmo com ingressos. De acordo com o Ministério do Interior, pelo menos dez pessoas foram já detidas. Dois marroquinos ainda estão sendo processados.

 

 

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