Camila Teixeira/Twitter
Camila Teixeira/Twitter

Região do Mineirão tem violência, incêndio e depredação

Durante manifestações, dois jovens caíram de viadutos estando um deles em estado grave

MARCELO PORTELA, Agência Estado

26 de junho de 2013 | 19h25

BELO HORIZONTE - As piores previsões das forças de segurança de Minas Gerais se confirmaram e a manifestação realizada nesta quarta-feira em Belo Horizonte terminou em confronto violento entre um grupo de vândalos e policiais militares. No início da noite, os baderneiros já haviam criado um cenário de completa destruição ao longo da Avenida Presidente Antônio Carlos, com focos de incêndio e muita depredação. No total segundo a PM, 25 pessoas foram presas. Informações extraoficiais indicam pelo menos 25 feridos, sendo que dois estudantes foram levados para hospitais em estado grave.

Como em todos os protestos realizados recentemente na capital mineira, a manifestação desta quarta-feira começou de forma pacífica. Segundo estimativa da Polícia Militar, aproximadamente 40 mil pessoas participaram do ato, que novamente teve concentração na Praça Sete, no centro da cidade. Antes de ter início a passeata, foi feita uma votação no local para definir o trajeto que seria feito. Ao contrário das orientações da PM, os manifestantes escolheram percorrer novamente a Avenida Presidente Antônio Carlos em direção ao Mineirão, onde o Brasil venceu o Uruguai na semifinal da Copa das Confederações.

Ao contrário dos outros protestos, o que foi realizado nesta quarta-feira teve grande participação de integrantes de sindicatos e entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento Atingidos por Barragens. Apesar de caminhar em direção ao estádio, as lideranças conseguiram fazer com que a passeata seguisse direito em direção à Lagoa da Pampulha ao invés de entrar na Avenida Antônio Abrahão Caram, que dá acesso ao Mineirão e onde estava montado o cerco policial. Ainda houve um princípio de confronto na Avenida Santa Rosa, mas depois a passagem dos manifestantes foi liberada.

DESGARRADOS

Um grupo de aproximadamente mil pessoas, no entanto, se separou da manifestação, foi em direção ao Mineirão e começou a atirar pedras e bombas caseiras nos policiais. A PM reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de tiros de balas de borracha, fazendo com que a avenida fosse totalmente encoberta pela fumaça.

Mas os vândalos não recuaram. Pelo contrário, o grupo começou a atacar imóveis, ônibus, placas de sinalização e tudo mais que encontraram pela frente. Os baderneiros também atearam fogo em dois imóveis, um deles uma concessionária de veículos - no início da noite, as chamas já chegavam ao segundo pavimento do estabelecimento, com risco de incendiar os carros. Três dos suspeitos de terem iniciado o incêndio teriam sido presos com computadores furtados de estabelecimentos saqueados. Os baderneiros também atearam fogo em um caminhão e atacaram uma concessionária de motocicletas, que foram retiradas da loja e jogadas na rua.

Durante a confusão, um estudante de 21 anos caiu do viaduto José Alencar e, segundo o governo mineiro, foi levado em estado gravíssimo, com múltiplas fraturas, para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Há relato de outro jovem, de 28 anos, que também caiu do viaduto e sofreu uma fratura na face e suspeita de fratura na perna esquerda. Outro estudante, de 23 anos, levou um tiro de bala de borracha no olho direito, foi atendido no Hospital Risoleta Neves e, depois, encaminhado para o HPS.

No início da noite, PM usou carro de som para pedir aos manifestantes que voltassem às suas casas.

RECORRENTE

O local onde teve início a confusão desta quarta-feira foi o mesmo onde foram registrados embates em outras duas manifestações, realizadas nos dias 17 e 22 de junho, quando Belo Horizonte também recebeu jogos da Copa das Confederações. Alguns imóveis ainda apresentavam as marcas da destruição e saques ocorridos principalmente no sábado. Outros estabelecimentos estavam com as fachadas cobertas por tapumes, pois o comandante da PM mineira, coronel Márcio Sant''Ana, já havia previsto a possibilidade de novo confronto violento.

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